O relatório “The AI Generation: How kids and teens are using AI tools” (“A Geração IA: Como crianças e adolescentes estão usando ferramentas de IA”, em tradução livre) trouxe um alerta envolvendo a saúde mental dos jovens. Divulgados em julho de 2025, os dados apontam que aproximadamente 39% de crianças e adolescentes no Brasil têm recorrido a chats de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, para buscar aconselhamento e apoio emocional. Isso é reflexo da fase em que o cérebro em formação é altamente influenciável e imaturo para lidar com frustrações e limites.
Impactos
A IA oferece respostas imediatas a questionamentos e estímulos, isso libera uma dose dopamina no cérebro humano, que gera sensação de prazer e recompensa rápida. Para crianças e adolescentes, isso pode ser viciante e substituir relações sociais reais, que exigem paciência, empatia e resiliência.
O professor do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, Lucas Glasner, explica que além de estarem em desenvolvimento, a criança e o adolescente também estão em processo de criação de laços afetivos e da sua identidade. “Se ele está conversando com esse chatbot, ele tem um enviesamento muito significativo, porque não existe o contato com o outro. Fica num looping de reforçamentos a partir de uma lógica do algoritmo, que é falar aquilo que agrada ao usuário”, esclarece o professor. Ele reforça ainda que essa prática traz riscos para o desenvolvimento psicossocial desse público.
Como gerenciar o uso
Para o professor, proibir completamente o acesso dessas tecnologias às crianças não é a maneira correta de cuidar desse problema, mas sim a educação digital. “Se conseguirmos ter um acesso à educação digital, para que jovens e adolescentes consigam utilizar essas ferramentas digitais de forma consciente, vai ser muito melhor. A grande questão é que não se tem hoje uma alfabetização digital, inclusive, para nós, adultos”, diz Glasner.
Algumas orientações úteis que Lucas traz para os pais e educadores, no momento de gerenciar crianças e adolescentes com a IA, são definir limites de tempo de uso, especialmente para crianças de até 10 anos. Ele também recomenda mediar o contato com a ferramenta, incentivar a verificação em outras fontes confiáveis, estimular experiências como brincadeiras ao ar livre, esportes e leitura física, ensinar ética digital, incluindo cuidados com dados pessoais e autoria de conteúdos, e valorizar o pensamento crítico.