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Como lidar com a avalanche de golpes e proteger as finanças pessoais?

Somente em 2020, mais de 865 mil boletins de ocorrência foram registrados, configurando uma verdadeira avalanche de golpes em todo o país

às 17h11
Os golpes e crimes nos quais há o uso dos meios tecnológicos para ludibriar as vítimas são definidos dentro da chamada engenharia social (Unsplash)
Os golpes e crimes nos quais há o uso dos meios tecnológicos para ludibriar as vítimas são definidos dentro da chamada engenharia social (Unsplash)
Gleudson Júnior, coordenador de Pós-Graduação em Tecnologia da Unit Pernambuco (Jailton Júnior/JC360)
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Uma avalanche de golpes que têm feito milhares de vítimas em todo o país, desde o ano passado, é motivo de grande preocupação para autoridades policiais e especialistas em cibersegurança. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, somente em 2020 foram registrados mais de 865 mil boletins de ocorrência por estelionato no Brasil, o que representa um aumento de quase 70% em relação a 2019. Proteger as finanças pessoais é uma necessidade, mas diante da sofisticação dos golpes, é uma tarefa cada vez mais difícil.

É golpe do Zap, do Pix, do cartão clonado, da vacina e por aí vai. Com certeza você deve conhecer alguém que se tornou vítima ou quase caiu na lábia dos criminosos. São várias quadrilhas atuando em conjunto e algumas chegam a ter centrais como as de empresas de telemarketing, as quais são abastecidas com dados de milhares, milhões de brasileiros, subtraídos por meio de ataques hackers. É uma verdadeira indústria do golpe por onde escoam bilhões de reais.

Em alguns casos como o golpe do cartão clonado, a linguagem utilizada pelos golpistas faz com que as vítimas acreditem que estão conversando com um atendente da área de segurança do banco. Geralmente, a conversa é iniciada pelo falso atendente relatando à vítima uma movimentação suspeita na conta, uma suposta compra que, claro, não foi feita pela vítima. Essa é a isca para que a pessoa acredite que o cartão bancário foi clonado.

“O interessante é que a suposta telefonista liga já munida dos dados da vítima, ou seja, com pelo menos o número da conta e da agência. Esse fato já agrega ao golpe um ar de credibilidade, o que facilita o desenrolar da conversa, para que então a vítima forneça a senha. Outro ponto a se destacar é a entonação utilizada pela suposta atendente, que realmente parece uma pessoa da área de telemarketing. Neste diálogo, os golpistas também orientam a vítima a abrir um boletim de ocorrência relatando a clonagem do cartão, isso legitima o golpe e faz com que a vítima entregue o cartão físico nas mãos de um motoboy, que é enviado pelos golpistas”, destaca o professor Gleudson Júnior, coordenador de Pós-Graduação em Tecnologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit Pernambuco).

Engenharia social

O professor, que é especialista em cibersegurança, destaca um termo que identifica esse modo de agir dos criminosos, que utilizam dos meios tecnológicos para ludibriar as vítimas: a engenharia social. “Engenharia social é a arte de enganar pessoas, uma técnica muito usada por ‘ciber delinquentes’, e que nós poderíamos comparar ao estelionato, ao induzir pessoas a erro, pois as pessoas agem acreditando estarem amparadas pela operadora do cartão de crédito, como é o caso deste golpe específico, dizendo inclusive que a polícia já foi notificada a respeito, e isso desarma completamente a hipótese daquela pessoa pensar que ela na verdade está caindo em um golpe. Por isso é que vale aquela máxima de não fornecer senhas de cartões e de movimentação da conta bancária por telefone ou via WhatsApp”, enfatiza. 

Asscom | Grupo Tiradentes 

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