O parto é um marco de grande importância, que retrata a chegada de uma nova vida. Tradicionalmente, esses processos eram realizados quase que exclusivamente por mulheres parteiras, que assumiam um papel essencial na segurança da mulher, mas com base no conhecimento empírico. Com o passar dos anos, o parto, que era algo feito geralmente a domicílio, tornou-se um procedimento hospitalar, incluindo métodos como a cesariana, procedimento feito em ambientes cirúrgicos.
A gestação é um ciclo importante, passado por intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, a humanização do parto tem sido um movimento crescente que traz melhores resultados de saúde materno-infantil além de uma experiência mais satisfatória para as mulheres. Nesse cenário, o papel do enfermeiro obstetra (EO) é fundamentado no protagonismo da mulher, na segurança e no resgate do parto como um evento fisiológico e social, e não apenas médico.
A importância do EO
Esse profissional desempenha um papel multifacetado e longe de ser pontual, já que seu serviço é essencial para além do momento do parto, mas também no pré e no pós. A inclusão de enfermeiras obstetras na assistência ao parto de risco habitual reduz drasticamente as taxas de cesáreas desnecessárias e de analgesia cirúrgica, pois oferecem sensibilidade do cuidado e rigor científico, levando maior tranquilidade para a gestante.
Durante a fase do trabalho de parto, o EO atua diretamente na linha de frente para garantir o bem-estar físico e emocional da gestante, garantindo que a mulher tenha liberdade de movimento e alimentação.Também aplica técnicas como massagens na região lombar, uso do chuveiro ou banheira, respiração e compressas para alívio da dor sem medicamentos e monitora os sinais vitais da mãe e os batimentos cardíacos fetais de forma intermitente, garantindo a segurança do processo.
No momento do parto, a atuação foca na paciência e no respeito ao tempo do corpo, principalmente contra processos invasivos como a episiotomia, que é o corte cirúrgico no períneo. Além disso, auxilia a mulher a parir na posição que for mais confortável e fácil para a descida do bebê e garante o aconchego do ambiente, com luz baixa, poucas pessoas e silêncio, respeitando a privacidade e a fisiologia do momento.
Assim que o bebê nasce, a enfermeira atua para transformar o momento em acolhimento, incentivando o contato do bebê com a mãe logo após o nascimento, promovendo a regulação térmica e o vínculo. Também aguarda o cordão umbilical parar de pulsar antes de cortá-lo, o que garante um aporte crucial de ferro para o recém-nascido e auxilia na primeira amamentação ainda na primeira hora de vida do bebê.