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O carnaval brasileiro é uma mistura de várias culturas

A origem da festa popular reúne diversos aspectos, até chegar ao frevo em Pernambuco

às 11h26
Foto: do site Blocos de Rua.com
Foto: do site Blocos de Rua.com
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O termo “carnaval” vem do latim “carnem levare”, que significa “afastar-se da carne”. Isso porque, desde a sua origem, a manifestação cultural é conhecida como a “festa da carne”, o momento de extravasar antes do período de penitência e jejum da Quaresma. O carnaval que se conhece hoje carrega uma mistura de diversas culturas, desde os gregos antigos até africanos. Chegando ao Brasil por volta do século XVI, a festa passou por disputas entre as elites e as classes populares, até ser dominada por frevo e maracatu em Pernambuco, nos dias atuais.

Origem

Antes mesmo da Era Cristã, já existiam festas pagãs cheias de comida e bebida, e também brincadeiras e sexo. Os antigos gregos, e mais tarde os romanos, celebravam o período de colheita com grandes comemorações. Foi nesse período que surgiu uma figura muito conhecida do carnaval brasileiro: o Rei Momo. Esse personagem foi inspirado no deus grego Momo, que representava o sarcasmo e a ironia, e também era associado a festas. Séculos depois, tribos que viviam onde hoje é Portugal também tinham um festejo semelhante, para marcar o início da primavera: o entrudo.

Com a adoção do calendário cristão, o entrudo passou a ser fixado nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, quando começa a Quaresma. Essa festa era marcada por brincadeiras nas ruas, como jogar baldes d’água, ovos ou farinha, por exemplo, em quem passasse. As elites portuguesas consideravam a festa selvagem e bruta. Mesmo assim, os mais ricos também tinham suas maneiras de celebrar o entrudo, mas apenas dentro das suas casas.

Do entrudo ao carnaval

Ao chegarem ao Brasil, os portugueses trouxeram o entrudo, que também passou a receber críticas das elites brasileiras que começavam a se formar. Até o início do século XIX, o entrudo foi celebrado no Brasil, ganhando popularidade entre as classes mais baixas do país inteiro. Em cada lugar, a festa era celebrada de maneiras diferentes, e ficou popular entre os negros, escravizados ou libertos, agregando traços da cultura africana. Já nos anos de 1800, começaram a surgir proibições ao entrudo por todo o país, principalmente por influência da elite e da mídia da época.

Enquanto as classes populares eram proibidas de festejar o entrudo, e a festa era criminalizada, a elite passou a organizar as próprias celebrações carnavalescas. Importando elementos de festas parisienses e venezianas, surgiram os bailes de máscaras e fantasias, destinados aos mais ricos, em espaços fechados. Também foram incorporados personagens como o Pierrot, o Arlequim e a Colombina. Aproveitando a deixa, as classes mais baixas começaram a adotar alguns elementos usados nas festas dos mais ricos, deixando as antigas características do entrudo de lado e adotando alguns aspectos mais socialmente aceitos.

Ritmos musicais

Em relação à música, o entrudo era muito precário. Como era uma festa muito baseada em brincadeiras, não existia um ritmo musical característico. Assim, no século XIX, surgiram as primeiras marchinhas de carnaval, com nomes importantes como Chiquinha Gonzaga. Na virada para o século XX, apareceram outros ritmos, como o samba, no Rio de Janeiro, e os afoxés, na Bahia. Em Pernambuco, o frevo nasceu bem nessa época, e o maracatu, surgido no século XVIII, também tomou conta das ruas.

Carnaval de Pernambuco

Assim, o carnaval de Pernambuco tornou-se um dos mais importantes e conhecidos do país, com manifestações culturais tão características e próprias do estado. É impossível pensar no carnaval pernambucano sem lembrar do maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada, ou do calunga mais famoso, o Homem da Meia-Noite.

Além desses grandes blocos, diversos outros fazem parte do carnaval de Olinda e Recife, além de nações de maracatu e a La Ursa. Em Olinda, os bonecos gigantes também tomam conta da festa. O interior do estado também é recheado de elementos carnavalescos, como os papangus de Bezerros, os caretas de Triunfo e os Maracatus de Nazaré da Mata.

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