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Solidão e solitude tem diferenças entre si, apesar de parecidas

Enquanto uma traz sofrimento crônico, a outra ajuda a saúde mental

às 15h44
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 2023, a solidão como um problema de saúde global. Segundo o órgão, cerca de uma a cada quatro pessoas idosas e entre 5 e 15% dos adolescentes sofrem com esse problema no mundo inteiro. A solidão pode trazer sérios problemas para a saúde física e mental, mas nem sempre ficar sozinho é um problema. A solitude, por outro lado, traz vários benefícios e tem diferenças importantes em relação à solidão, apesar de muita gente confundir as duas.

Isolamento social

A solidão é caracterizada por um estado crônico de sofrimento psíquico por estar sozinho. Esse sentimento, que é construído a longo prazo, surge quando as relações sociais de uma pessoa não são tão satisfatórias quanto o desejado. Segundo a Profª M.a. Déborah Capozzoli, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão — o ser humano é um ser social e, portanto, precisa ter relações autênticas. “A saúde mental, enquanto um estado subjetivo de bem-estar, também envolve as relações significativas que construímos no mundo e que se situam no entrelaçamento com os outros”, explica.

Quando isso não acontece, seja pela perda de um familiar, separações, ou mudança abrupta de emprego ou residência, por exemplo, o indivíduo pode enfrentar o sentimento de solidão. Esse estado pode trazer sérios problemas para a saúde. Além de ocasionar a depressão e a ansiedade, a nível psicológico, o isolamento social aumenta o risco de outras doenças. De acordo com um estudo da Universidade de Cambridge, a solidão pode aumentar as chances de um indivíduo ter doenças cardíacas, AVC (acidente vascular cerebral) e diabetes tipo 2. O que pode explicar isso é o aumento do estresse e a falta de estimulação cognitiva, devido ao isolamento.

Momentos para si

Já a solitude é um estado passageiro e acontece quando o indivíduo toma a escolha consciente de ficar sozinho. Isso pode acontecer em momentos de estudo, por exemplo, ou ao realizar alguma atividade prazerosa, meditar ou ter contato com a natureza. Momentos de isolamento voluntário fazem bem para a saúde mental, pois ajudam a desenvolver autoconfiança e a regular as emoções. Além disso, a solitude proporciona uma sensação de liberdade e autonomia e de maior contato consigo mesmo, o que estimula o autoconhecimento, e também ajuda a reduzir o estresse.

Equilíbrio

Assim, é fundamental encontrar um equilíbrio entre estar sozinho e acompanhado. Ao mesmo tempo em que se deve cultivar momentos para si mesmo, também é crucial construir relações interpessoais saudáveis, como amigos e familiares. “A amizade, embora tenha diferentes significados para cada pessoa, evidencia que o bem-estar físico e mental não é apenas uma questão individual, mas também relacional. Ao reduzir sentimentos de solidão, isolamento e estresse, a amizade cria a sensação de pertencimento, promove acolhimento e suporte em momentos de sofrimento, bem como a partilha em momentos alegres, contribuindo para a regulação emocional e o enfrentamento das dificuldades da vida”, detalha Déborah.

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