A infância é uma etapa muito importante no desenvolvimento psicossocial do indivíduo. Durante essa fase, o indivíduo molda a sua personalidade e aprende a lidar com as emoções. Por isso, o processo de socialização, ou seja, a interação social, em especial com outras crianças, permite atingir uma compreensão maior sobre si e o mundo ao redor.
A Profª M.a. Giedra Marinho, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão — aponta que o processo de socialização deve ser iniciado desde cedo. “É assim que as crianças aprendem a respeitar o espaço do outro, as condutas sociais, a empatia”, explica.
A especialista acrescenta que a resolução de conflitos também é uma aprendizagem da interação social. “Muitas crianças e jovens de hoje não sabem lidar com a frustração, e por isso se comportam de maneira inadequada, tendo crises de agressividade, por exemplo. Interagir com outras crianças ajuda a entender que nem tudo é do nosso jeito, o outro também possui vontades e opiniões”, alerta.
Autonomia
Giedra explica que, aliado ao processo de socialização, é preciso haver o incentivo à autonomia da criança. “É importante deixar a criança brincar e aprender a lidar com as situações à sua maneira. Nem sempre é necessário interferir quando um conflito acontecer. Claro que se for uma agressão, uma coisa mais séria, um adulto pode interferir, mas se for algo leve, é possível deixar a criança aprender a reagir, a como sair daquela situação”, aconselha.
Essencial para todas as crianças
A psicóloga também destaca a importância da socialização adequada para a formação de crianças com alguma deficiência ou neurodivergência. “Infelizmente, muitos pais têm a visão de que, por possuir alguma limitação, a criança pode fazer tudo, sem lidar com regras sociais. Mas não é verdade, é necessário ensiná-los a respeitar a sua vez, a esperar o seu tempo, mesmo tendo alguma limitação”, enfatiza a professora.
“A limitação não é incapacitante, é o contrário. Nós falamos de inclusão, que significa respeitar o espaço do outro. Os pais de hoje estão colocando as crianças e as adolescentes numa bolha protetora, que só atrapalha o crescimento delas como pessoas. Um adulto que sabe resolver conflitos e crises foi uma criança que soube resolver conflitos e crises. É extremamente necessário na vida”, finaliza.