Um relatório global do DataReportal sobre o uso de internet, publicado este ano, mostra que o Brasil é o quarto país do mundo com o maior tempo de uso de redes sociais. Em uma semana, os usuários passam quase 29 horas navegando nessas plataformas, considerando posts e vídeos e excluindo o tempo nos serviços de streaming. A maior parte dos usuários tem entre 16 a 24 de idade. O uso excessivo de redes sociais nessa faixa etária pode trazer sérios riscos, principalmente entre estudantes universitários.
Foi pensando nisso que surgiu um projeto de iniciação científica no curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT. Orientado pela Profª Dra. Tatiana de Paula, a pesquisa busca entender como as redes sociais influenciam em três âmbitos da vida de estudantes universitários: aprendizagem, interações sociais e qualidade do sono. “Uma das minhas linhas de pesquisa inclui tecnologias digitais e seus impactos no comportamento, na aprendizagem e na saúde”, comenta a docente.
Segundo Tatiana, as redes sociais estão cada vez mais presentes no dia a dia dos universitários e também têm sido uma demanda recorrente entre os professores. “O contexto universitário foi escolhido porque é um ambiente em que o uso das redes sociais é bastante intenso, tanto para fins acadêmicos quanto para entretenimento, comunicação e interação social. Então, esse é um cenário importante para compreender os efeitos dessas ferramentas no cotidiano dos estudantes”, afirma.
Busca por hábitos digitais saudáveis
A partir da sua experiência de pesquisa, Tatiana pontua que o uso das redes sociais por universitários pode trazer benefícios, mas também riscos. “Por um lado, quando utilizadas de forma equilibrada, as redes sociais podem facilitar o acesso à informação, estimular a aprendizagem colaborativa, promover a troca de conhecimentos e fortalecer redes de apoio e interação social”, aponta Tatiana.
Com a utilização inadequada, no entanto, é possível perceber dificuldades de concentração, aumento da procrastinação, diminuição do tempo dedicado aos estudos, ansiedade e prejuízos nas relações interpessoais presenciais. Já em relação ao sono, a professora menciona o atraso no horário de dormir, redução do tempo total de sono, aumento dos despertares durante a noite e sonolência e cansaço durante o dia.
“Como docente, percebo que as redes sociais estão cada vez mais presentes na rotina dos universitários e exercem influência sobre diferentes aspectos da vida acadêmica, social e pessoal. No entanto, apesar de seu uso ser amplamente disseminado, ainda existem muitas discussões sobre seus reais impactos”, avalia Tatiana. Por isso, ela defende que a pesquisa sobre esse tema é importante para auxiliar professores, alunos e instituições de ensino a promover hábitos digitais mais saudáveis, contribuindo para a qualidade de vida e o desempenho acadêmico.
Condução da pesquisa
O projeto começou há pouco mais de dois meses e está em fase de coleta de dados, por meio de formulário eletrônico. Além disso, os estudantes também estão realizando uma imersão teórica, aprofundando os conhecimentos científicos sobre os assuntos relacionados ao tema. “Os dados serão organizados e submetidos à análise estatística, permitindo identificar possíveis associações entre o perfil de uso das redes sociais e as variáveis investigadas. Paralelamente, também está sendo realizada revisão da literatura para subsidiar a interpretação dos resultados”, pontua Tatiana.
“O principal objetivo é analisar a relação entre o perfil de uso das redes sociais digitais, a aprendizagem, as interações sociais e a qualidade do sono em estudantes universitários do curso de Psicologia”, diz a professora. A partir da identificação de padrões de uso dessas plataformas e da compreensão dos impactos nos estudantes, o projeto visa produzir conhecimento científico relevante para sustentar futuras ações de promoção de saúde e uso consciente das tecnologias digitais no contexto universitário.