Desde 1987, o dia 31 de maio é lembrado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial Sem Tabaco. O objetivo da campanha é atentar para os riscos do fumo, principalmente com o advento dos cigarros eletrônicos, ou dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), braço regional da OMS, o uso de tabaco é a causa de morte mais evitável do mundo e é responsável por mais de 8 milhões de óbitos anualmente.
O alerta também vai para os jovens, devido ao uso dos DEFs. Mesmo com uma promessa inofensiva, a partir dos sabores adicionados e da ausência de odor, os cigarros eletrônicos também contém substâncias como tabaco e nicotina, que são altamente viciantes e cancerígenas. De acordo com a OPAS, os adolescentes têm em média nove vezes mais chances de usar os chamados vapes do que os adultos. Cerca de 15 milhões de jovens de 13 a 15 anos usam o aparelho, enquanto 40 milhões da mesma faixa etária consomem o tabaco no mundo todo.
Ameaças à saúde
O fumo é fator de risco para uma grande quantidade de doenças: vários tipos de câncer, bronquite crônica, enfisema pulmonar, impotência sexual e infertilidade, dentre outras. Em relação aos tumores, o destaque vai para o câncer de pulmão. “O pulmão é como se fosse uma esponja que só absorve ar. Conforme a pessoa fuma e se expõe à poluição, é como se estivesse colocando graxas ou pó de carvão dentro dessa esponja com o tempo”, compara o Prof. Dr. André Batista, médico pneumologista e docente do curso de Medicina da Faculdade Tiradentes (Fits).
“Para cada cinco casos de câncer de pulmão, pelo menos quatro pacientes têm o tabagismo como fator que foi importante para desenvolver o câncer”, alerta o professor. Um relatório do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima mais de 35 mil novos casos de tumores de pulmão, traqueia e brônquios por ano entre 2026 e 2028. Esse grupo de cânceres é o quarto mais incidente no país, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Em relação à mortalidade, o Brasil registrou mais de 31 mil óbitos em 2023.
Outro tipo de câncer que chama a atenção em relação ao fumo é o de boca. Os dados do INCA mostram que os tumores da cavidade oral ocupam a sétima posição dos mais incidentes do país, também sem considerar o de pele não melanoma. São esperados mais de 17 mil novos casos por ano até 2028, com mais de 7 mil mortes contabilizadas em 2023. “O câncer de boca pode apresentar sintomas como feridas na boca que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, sangramentos, dor, dificuldade para mastigar ou engolir e presença de caroços no pescoço ou cavidade oral”, afirma o Prof. Igor Souza, docente do curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT.
Cuidados com a saúde
Por isso, André defende que campanhas como o Dia Mundial Sem Tabaco são fundamentais para mudar esse cenário. “O que se recomenda é a conscientização, e esse processo de parar de fumar depende do paciente. Mas não basta só parar. O pulmão não é um órgão sozinho, ele trabalha junto com outros órgãos. Então, a prática de atividade física também é muito importante para a saúde pulmonar”, comenta.
“Entre as principais medidas para evitar o câncer na cavidade oral está evitar o tabagismo. Mas também é importante evitar o consumo excessivo de álcool, assim como manter boa higiene bucal, realizar acompanhamento odontológico regular e utilizar proteção contra exposição solar excessiva, especialmente protetor labial com filtro solar”, complementa Igor.