A prática da gratidão vai além do mero pensamento positivo e envolve mecanismos do cérebro e da psicologia, que promovem o bem-estar. Antes celebrada em tradições filosóficas e religiosas, a gratidão vem ganhando maior atenção na pesquisa psicológica e neuropsicológica por seu profundo impacto na saúde mental.
De acordo com a Profª M.a. Déborah Capozzoli, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão —, praticar a gratidão ajuda a ativar certas áreas do cérebro e a liberar dopamina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar, o que contribui para reduzir sentimentos negativos.
“Isso aumenta a chance de sentir alegria, fortalece o otimismo e a autoestima, e ainda incentiva a busca por novas experiências positivas, criando uma espécie de ‘ciclo vicioso’”, afirma. A liberação de dopamina associada à gratidão não apenas eleva o humor, mas também melhora a concentração e a vitalidade, facilitando realizações pessoais e profissionais.
Enfrentamento das adversidades
Segundo o Centro de Pesquisa de Consciência Plena da UCLA, indivíduos que praticam gratidão exibem uma maior ativação no córtex pré-frontal medial após três meses do início da prática. Ou seja, o engajamento consistente da gratidão pode induzir mudanças duradouras na função cerebral, particularmente no sistema de recompensa do cérebro. A pesquisa sugere ainda que ativar esse sistema aumenta a motivação e o comportamento direcionado a objetivos, o que é especialmente vantajoso para pessoas que enfrentam depressão ou ansiedade.
De modo geral, esse hábito leva à resiliência emocional, capacitando os indivíduos a enfrentar adversidades com uma perspectiva positiva e fazendo com que experimentem reações emocionais menos intensas, isto é, um estado emocional mais calmo e equilibrado.
Como praticar a gratidão
Embora os benefícios da gratidão sejam comprovados, no dia a dia, é ainda bem comum o hábito de reclamar. A psicóloga explica como mudar esse cenário, mesmo diante das adversidades. “Nesses casos, a psicoterapia pode contribuir para o desenvolvimento do autoconhecimento e do bem-estar, incorporando estratégias que favoreçam o reconhecimento de situações que despertam gratidão ou a percepção de sentimentos positivos no cotidiano do paciente”, recomenda.
Déborah indica ainda algumas técnicas práticas para desenvolver e cultivar a gratidão, dependendo da história de vida e das possibilidades de cada pessoa:
- Potinho da gratidão: registrar diariamente palavras ou frases que expressam coisas boas do dia (tem funcionado tanto para adultos, quanto para adolescentes);
- Diário de autoconhecimento e gratidão: escrever sobre como se sentiu, identificar e reestruturar crenças negativas ou padrões de pensamento que dificultam perceber aspectos positivos;
- Cartas ou mensagens de agradecimento: desenvolver o hábito de escrever, se expressar e enviar para pessoas que contribuíram positivamente em sua vida;
- Reflexão sobre experiências positivas: identificar e narrar momentos de alegria ou conquistas vividas ao longo da vida, incluindo lembranças de músicas, cheiros e gostos.