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Folclore pernambucano tem manifestações originárias de todo o estado

As histórias costumam ter origem popular e são passadas de geração em geração

às 16h14
Foto: do site Aventuras na História
Foto: do site Aventuras na História
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O termo “folclore” tem origem na língua inglesa, sendo a junção das palavras “folk”, que significa povo, e “lore”, traduzida como conhecimento. As manifestações culturais folclóricas são ricas e mudam de região para região, sendo passadas de geração em geração pela oralidade. O folclore pernambucano, por exemplo, possui tanto histórias entre os moradores da região rural e sertaneja do interior do estado, como a Comadre Fulozinha e o Papa Figo, quanto histórias da região urbana do Recife, como a Perna Cabeluda, o Fantasma da Praça Chora Menino e a Emparedada da Rua Nova. 

Comadre Fulozinha 

Segundo a lenda, a Comadre Fulozinha é o espírito de uma garota de longos cabelos escuros que vive na mata defendendo animais e plantas. Ela é conhecida pelo seu assovio alto, que confunde os caçadores na floresta. A personagem tem personalidade zombeteira, e deixa nós nas crinas e rabos dos cavalos, que são desfeitos apenas quando ela recebe oferendas, que podem ser mingau, confeitos, fumo e mel. Moradores mais antigos da região da Zona da Mata pernambucana afirmam que a Comadre Fulozinha era uma criança que se perdeu na mata quando pequena, e nunca mais achou o caminho de casa. Desde então, o seu espírito vaga pela floresta. 

Papa-figo

O Papa-figo é um homem que sequestra crianças desobedientes e as coloca dentro de um saco, para alimentar-se delas. Dizem que ele precisa se alimentar dos fígados crus e frescos, para tratar uma doença no sangue que o deixa com a pele amarelada e coberta de feridas. Alguns dizem que ele possui uma aparência normal, mas outras versões relatam que ele tem uma aparência animalesca, com pele amarela, corpo coberto de pelos e unhas e orelhas grandes. 

Perna Cabeluda 

A lenda da Perna Cabeluda é uma das principais histórias macabras do Recife. Dizem que uma perna decepada andava aos pulos na madrugada da cidade, agredindo incessantemente com chutes e rasteiras qualquer um que encontrasse pelo caminho. Ao contrário da maior parte das lendas, a origem dessa história é conhecida, e o crédito é do jornalista Raimundo Carrero. Na década de 70, Carrero, que trabalhava no Diário de Pernambuco, contou afoito a um companheiro de redação que durante à noite havia visto uma perna cabeluda debaixo da cama que dividia com a esposa. 

A história foi vista como piada, mas se espalhou rapidamente, principalmente como uma sátira à censura da Ditadura Militar. O então editor do Diário de Pernambuco incumbiu ao Carrero uma coluna policial com casos considerados absurdos, já que muitas notícias eram censuradas. Foi nesse contexto que a história se disseminou pela população recifense. Grandes rádios noticiaram a Perna Cabeluda, e cada vez mais pessoas machucadas apareceram, afirmando terem sido agredidas pela perna.

Fantasma da Praça Chora Menino 

No século XIX, o Recife passou por uma revolta violenta de soldados de baixa patente, que ficou conhecida como “Setembrizada”, por ter acontecido no mês de setembro. No meio do conflito, civis foram atingidos, incluindo mulheres e crianças. A lenda conta que as vítimas foram enterradas no local onde hoje fica a Praça Chora Menino. Relatos populares afirmam que quem passa à noite pelo local consegue ouvir o choro triste de uma criança morta durante a revolta.

Emparedada da Rua Nova

A história da Emparedada da Rua Nova se refere a uma família tradicional do século XIX, que morava na Rua Nova, localizada no Bairro de Santo Antônio. O rico comerciante Jaime Favais tinha uma filha chamada Clotilde, que se apaixonou por um jovem e engravidou. Como a sociedade da época era patriarcal e conservadora, o pai obrigou a filha a se casar com um homem rico, mas o amado dela não permitiu. Então, com a ajuda de um pedreiro, o pai construiu uma parede no banheiro da residência, amarrando e prendendo a jovem para sempre. Desde então, moradores da redondeza afirmam ouvir barulhos de assombração e algo se arrastando ao passar pela residência.  A história se tornou um livro, chamado “A emparedada da Rua Nova” de Carneiro Vilela, e posteriormente virou tema da série “Amores roubados” da Rede Globo.

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