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Esgotamento mental é diferente de um simples cansaço

A síndrome de burnout é mais intensa e duradoura, e merece atenção especial devido aos danos à saúde

às 15h07
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Um estilo de vida acelerado e altos níveis de estresse no trabalho podem trazer consequências para a saúde mental e física. A rotina agitada que alguns profissionais enfrentam exige muito da mente e de funções cognitivas, além de influenciar nos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Mas em casos de alto desgaste, muitas pessoas podem não conseguir distinguir um simples cansaço do esgotamento mental. De qualquer forma, momentos de relaxamento e descanso são fundamentais para evitar danos à saúde.

Quando o cansaço passa dos limites

Segundo a Profª M.a. Giedra Marinho, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, o cansaço tem menos impacto na saúde como um todo, porque “é mais simples, pontual, focal e temporário”. “Depois de entregar um projeto ou atividade que o indivíduo está fazendo há muito tempo, a sensação de cansaço dá uma amenizada, passa tudo, o corpo volta a ficar descansado, e a pessoa melhora a concentração e a memória”, explica.

Já o esgotamento mental, que caracteriza a síndrome de burnout, traz um conjunto de sintomas que duram mais tempo e têm um impacto maior na saúde. Giedra diz que essa condição acontece por estímulos exaustivos constantes no ambiente de trabalho. “Quem trabalha na área de saúde, por exemplo, tem uma demanda física, mental, emocional e cognitiva intensa. São plantões um em cima do outro e, muitas vezes, os profissionais não têm um tempo de descanso adequado”, exemplifica.

Um exemplo disso são os profissionais da Enfermagem, área com um dos maiores números de afastamentos por questões de saúde mental, de acordo com um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Outras profissões que também lideram o ranking incluem trabalhadores do varejo, faxineiros, professores, auxiliares de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção. No total, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 500 mil afastamentos em 2025.

Consequências para a saúde

“O burnout aparece em vários órgãos, principalmente músculos, com dores musculares constantes e intensas por causa da tensão. Também afeta o coração, fígado, pulmões e principalmente o cérebro. Existe uma perda das funções executivas por conta de burnout, como memória de trabalho, memória operacional, controle inibitório, tomada de decisão, rigidez cognitiva, flexibilidade cognitiva e funções psicológicas superiores que estão relacionadas à atenção, à concentração, à memória e à linguagem”, Giedra detalha.

Além disso, a qualidade do sono é prejudicada, devido ao aumento dos níveis de cortisol relacionados ao estresse. A professora também aponta picos de dores de cabeça e falta de apetite. “Então, uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas e que precisa ser tratada. Muitas vezes, é preciso entrar com redução de carga horária, medicação, mudança de alimentação, atividade física. Mas não é algo que se faz de um dia para o outro”, Giedra complementa.

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