Durante a adolescência e os primeiros anos da fase adulta, diferentes mudanças no aspecto emocional e social podem gerar alterações comportamentais no indivíduo e influenciar na saúde mental. Algumas situações como nova escola, universidade ou emprego desencadeiam quadros de estresse que, se não gerenciados, podem perdurar e gerar maiores dificuldades.
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE mostrou que crianças e jovens superaram, pela primeira vez, os adultos em níveis de ansiedade. Em 2019, a taxa de depressão em pessoas de 18 a 21 anos cresceu 152,5%, passando de 2,47% para 6,23%. Um dos motivos atribuídos é a exposição excessiva a telas e redes sociais, que contribuem para a deterioração da saúde mental dos jovens.
“Em pesquisas da psicologia e psiquiatria, observa-se que os jovens não estão sabendo lidar com as frustrações e perdas, o que gera um nível muito grande de ansiedade. Os pais criam os filhos numa bolha educacional na qual eles não sabem gerenciar problemas. É uma falta de confronto com a realidade, uma falta de confronto com a frustração, e a gente precisa da frustração para crescer de forma saudável”, explica a Profª M.a Giedra Marinho, docente de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) – localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão –
Alguns possíveis fatores
Adolescentes e jovens inseridos em cenários socioeconômicos fragilizados estão mais suscetíveis ao desenvolvimento desses transtornos. Em relação aos problemas mentais mais comuns, estão a depressão, ansiedade, fobia social e distúrbios alimentares.
Dentre outras situações determinantes que elevam as chances de desordem mental na juventude estão o desemprego, conflitos familiares, reconhecimento da identidade sexual, desejo de maior autonomia, bullying, excesso de influências midiáticas e envolvimento precoce com álcool e outras drogas.
Prevenção e cuidados
A prevenção está na compreensão dos primeiros sintomas de alerta. A especialista destaca a importância da orientação parental e da psicoterapia para enfrentar essas situações. “Temos que conscientizar os pais da inadequação dessa falta de gestão emocional. É urgente compreender que não é saudável proteger excessivamente. É preciso um nível de sofrimento, lidar com frustração, lidar com limites, de tolerância quando não se consegue. Além disso, a psicoterapia é indicada para essas crianças e adolescentes. Ao meu ver, o método TCC, que é a Terapia Cognitiva Comportável Mental, é a melhor opção nesse caso”, finaliza.
Familiares, professores ou amigos podem ajudar a lidar com os desafios cotidianos e promover ajuda e bem-estar aos jovens, assim como auxiliá-los a construir resiliência para que possam lidar bem com situações difíceis ou adversidades.