Durante a perda de um ente querido, o processo de luto costuma ser uma das experiências mais difíceis de serem superadas, tanto individualmente quanto pelo núcleo familiar. A dor causada traz a necessidade de reorganização em uma nova realidade, sem a pessoa que faleceu. Para passar pelo luto, é essencial acolher as emoções e, principalmente, não se isolar. Buscar apoio em amigos e familiares alivia o processo, tornando-o um pouco menos doloroso, além de melhorar a saúde física e mental e ressignificar a perda. A superação também pode envolver terapia quando a dor é avassaladora e atrapalha as atividades cotidianas.
Sintomas psicológicos e físicos do luto
A Profª M.a. Déborah Capozzoli, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão —, explica que o conceito de morte vai além da definição biológica do fim do ciclo vital. Na Psicologia, ele se amplia para incluir a chamada “morte simbólica”, que se manifesta nas perdas vividas ao longo da existência, e pode provocar processos semelhantes aos da perda concreta de alguém.
Os efeitos do luto podem afetar a saúde de quem perde um ente querido e se manifestar com aspectos emocionais ou físicos. Alguns desses sinais incluem tristeza, estresse, ansiedade, culpa, raiva e medo, além de sintomas físicos como fadiga, palpitações, náuseas e perda ou ganho de peso. Segundo Déborah, isso é um fator psicológico natural, cuja duração e intensidade variam de pessoa para pessoa. No entanto, torna-se patológico quando é excessivo, compromete significativamente a vida do indivíduo e leva à negligência das atividades cotidianas.
As cinco fases do luto
O luto é comumente dividido em cinco fases: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, que, de acordo com Déborah, podem ocorrer em diferentes sequências. São elas:
- Negação e isolamento: é comum os pacientes duvidarem do diagnóstico (ou da notícia da morte), buscando provar que houve algum engano;
- Raiva: o enlutado sente ressentimento pela notícia interromper seus planos de vida, podendo surgir inveja de pessoas saudáveis;
- Barganha: o paciente tenta adiar a morte, fazendo promessas de um novo estilo de vida;
- Depressão: envolve paciente e família, devido às alterações provocadas pela doença. Na depressão reativa, o apoio social e de equipes multidisciplinares é indicado, e a preparatória é quando o paciente percebe que em breve perderá tudo o que ama;
- Aceitação: o paciente passa a aprender a conviver com a ausência.
Comportamentos que contribuem com a superação
“Para que o processo de luto não se torne patológico, o enlutado deve permitir-se sentir, compartilhar o que sente, acolher e respeitar seu próprio tempo para lidar com os sentimentos”, explica a Déborah. Ela ressalta ainda a importância de realizar atividades prazerosas e que promovam autocuidado, manter contato com outras pessoas e buscar apoio psicológico e ajuda profissional quando necessário.