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Cimentos alternativos podem mudar o rumo da Engenharia Civil e modernizar construções futuras

Em fase de estudo e pesquisas, os mais promissores – o de bateria e o sustentável – podem ajudar o meio ambiente e auxiliar na praticidade

às 13h58
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Pode-se dizer que o cimento é o principal material em obras de construção civil, já que ele está presente em casas, apartamentos e edifícios empresariais. Feito de calcário, argila, pequenas quantidades de óxidos de ferro e alumínio, além de gesso e outras adições, ele é um pó fino que, ao ser misturado com água, é usado para compor a argamassa, o concreto e o reboco na parede. Ele é muito importante porque dá a rigidez e a união necessária para os materiais tomarem forma, sendo único e necessário em qualquer obra.

O que muita gente não sabe, entretanto, é que o cimento pode causar impactos negativos na natureza: ele pode emitir gases poluentes provenientes dos combustíveis – que são queimados e reduzidos em cinzas para compor o resultado final. O dióxido de carbono (CO2), por exemplo, é liberado no processo, e ele é um dos causadores do efeito estufa – que impacta o meio ambiente há anos. Além disso, o material também pode ser causador de riscos à saúde humana. Sem os equipamentos necessários e o cuidado, alguns danos podem ser observados à pessoa que o manuseia, prejudicando a pele, os olhos e as vias respiratórias.

Sabendo isso, o que as pessoas diriam se soubessem que existem cimentos alternativos, que além de ajudarem nas construções, diminuem as consequências negativas? Sim, eles existem. Em fase de de pesquisas e estudos, o cimento sustentável foi desenvolvido pela Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos e publicado como na revista Philosophical Transactions of the Royal Society. A ideia é de um composto mais inteligente, durável e altamente funcional.

No estudo, eles levaram em conta que a indústria do material é a responsável por 8% das emissões de gases de efeito estufa causadas pela humanidade. Liderado pela professora de engenharia civil e ambiental, Ange-Therese Akono, o experimento usa nanomateriais na produção do cimento, que reduzem a pegada de carbono, e fazem testes de fratura para saber a resistência final. Usa um método chamado teste do arranhão, que avalia a resposta à rachadura aplicando uma sonda cônica com força vertical crescente contra os pedaços microscópicos do cimento e o resultado foi incrível – as nanoplacas de grafeno, usadas para compor o material, melhoraram as propriedades de transporte de água, incluindo a estrutura de poros e a resistência à penetração de líquido, com diminuições relativas relatadas de 76% e 78%, respectivamente, de acordo com o artigo publicado.

Já o cimento de bateria, outra opção em estudo, tem como objetivo gerar energia. Ele é um trabalho chamado Rechargeable Concrete Battery, publicado na revista Building. Dos pesquisadores Emma Zhang e Lupina Tang, da Universidade Chalmers de Tecnologia, na Súecia, o projeto está em fase de testes. Eles estão construindo os primeiros protótipos de uma bateria recarregável de cimento. A técnica consiste em colocar pequenas fibras de carbono ao cimento, auxiliando na condutividade elétrica e na maior resistência à flexão. O material também tem uma malha de fibra de carbono revestida de metal, com ferro e níquel, para torna-la recarregável. A energia conseguida foi de 7 watts por metro quadrado, ou 0,8 watts por litro. É baixa em comparação com as baterias comerciais, mas que pode ser aumentada por causa do grande volume que poderia ser usada. Mesmo sendo de estágio inicial, o estudo pode abrir portas para modificações na área da construção civil, como aplicações de LED e outras condutividades de energia no cimento.

Seja com energia integrada, aspectos positivos para o mundo ou constituição diferente, o cimento é e sempre será essencial nas obras e o fato de estar evoluindo e se transformando é crédito de pesquisadores e estudos científicos.

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