De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a maior população ansiosa do mundo e a maior quantidade de pessoas com depressão da América Latina. Esses são alguns dos transtornos mentais mais comuns, sendo a depressão a 4ª maior causadora de ônus do mundo. Nesses momentos, é preciso buscar a psicoterapia, para aliviar o sofrimento e contornar esses problemas. Mas, ao procurar um psicólogo, o paciente deve se atentar à abordagem utilizada pelo profissional.
Segundo a Profª M.a. Déborah Capozzoli, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão —, a procura pela psicoterapia ocorre principalmente em momentos de crises existenciais e sofrimento intenso. “Contudo, atualmente, observo que a busca por psicoterapia não se restringe apenas ao acolhimento em momentos de dor profunda. Muitas pessoas procuram esse espaço com o objetivo de se conhecerem melhor ou simplesmente para contar com um ambiente aberto, livre de julgamentos e disponível à escuta e ao acolhimento”, pondera.
Diferentes abordagens
A maneira como cada profissional vai conduzir o tratamento psicoterapêutico, no entanto, depende da abordagem adotada. Déborah explica que as abordagens são como lentes de compreensão para questões existenciais. “Cada uma possui seu próprio olhar e estrutura teórica para abordar essas questões, diferenciando-se nesse sentido. No entanto, todas são reconhecidas como possibilidades legítimas de tratamento e cuidado, atuando na promoção da saúde”, detalha. Algumas dessas abordagens são a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Gestalt-terapia e a Psicanálise.
“As principais correntes são conhecidas como as ‘três forças’ da Psicologia: as de matriz psicanalítica, behaviorista (comportamental) e humanista. Além dessas, há também as abordagens de base fenomenológico-existencial, que dialogam diretamente com as ressonâncias da fenomenologia, um importante campo da filosofia”, Déborah ressalta. Essas três correntes têm maneiras diferentes de ver as questões humanas: a psicanálise foca no inconsciente e no passado do paciente; o behaviorismo toma como base os comportamentos; e o humanismo volta a atenção para o momento presente.
Déborah aponta a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) como uma prática psicoterapêutica bastante conhecida e utilizada atualmente. Essa técnica é utilizada para o tratamento de condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que demonstra que a psicoterapia não é usada apenas para tratar ansiedade e depressão. “Embora muito difundida, a ABA não é considerada uma abordagem propriamente dita da Psicologia, mas sim uma aplicação especializada dentro da abordagem behaviorista”, ressalta.
Escolha individual
De forma geral, todas as abordagens da Psicologia são alternativas possíveis e seguras, apesar das diferenças. Por isso, Déborah defende que a escolha da abordagem deve se basear na experiência individual. “Ressaltando a singularidade de cada ser humano e o modo como busca lidar com suas questões, a escolha de uma abordagem para iniciar o processo terapêutico dependerá de vários fatores. Porém, no geral, o que mais escuto enquanto profissional relaciona-se à forma como cada paciente se sente escutado, acolhido e à vontade para trazer suas questões no seu tempo”, reforça.