O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ganhado muita atenção nos últimos anos, graças a avanços científicos e a um maior acesso a informações sobre a condição. Por outro lado, o assunto acaba ficando distante de áreas como a Enfermagem, que é responsável por acolher os pacientes em ambientes hospitalares, além de outras atribuições. Pensando nisso, alunas do curso de Enfermagem do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão — deram início a um projeto de iniciação científica sobre a comunicação entre enfermeiros e crianças com TEA.
Percepção das mães
Foi o interesse de um grupo de estudantes pelo tema que deu origem à ideia da pesquisa, segundo a orientadora do projeto e docente do curso de Enfermagem da Unit-PE, a Profª M.a. Gardênia Santos. As alunas decidiram conectar a comunicação com crianças com TEA e a Enfermagem, a partir da percepção das mães dos pacientes. “Buscando entender qual é a percepção que as mães têm, dentro do contexto hospitalar, da comunicação do enfermeiro com a criança com TEA e como esse enfermeiro consegue se comunicar e demandar o que é necessário para essa assistência”, explica.
O projeto é intitulado “Comunicação entre enfermeiros e crianças com TEA: percepções e experiências das mães no contexto hospitalar”, e é composto pelas alunas Camille Paes Barreto Cardoso, Camilly Aparecida Lira da Silva, Francisca Marta Andrade Travassos, Vivian Vitória de Lima Tavares, Yasmin Maria de Lins Ferreira.
Acolhimento
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que existam 2 milhões de brasileiros no espectro autista. Uma das principais características que essas pessoas têm, em especial as crianças, é a dificuldade de interação social e uma maior sensibilidade a certos estímulos. “A comunicação que já deve ser muito cuidadosa na infância precisa ser ainda mais com a criança com TEA, porque já existe a dificuldade de falar, e muitas vezes elas ficam assustadas no ambiente hospitalar, com medo dos perfurocortantes, de estar em um local que não é próprio dela e do toque de várias pessoas para fazer os exames físicos”, pontua Gardênia.
A pesquisa
“Na etapa em que estamos, já construímos e submetemos um questionário para entender essa comunicação. A partir daí, vamos ver onde estão as lacunas que impedem uma comunicação mais afetiva e que gerem uma assistência melhor, com a perspectiva de fazer uma capacitação posterior em outro projeto, ou de conseguir de alguma forma fazer uma educação em saúde para que esses enfermeiros se comuniquem melhor”, detalha a professora. Além da contribuição prática, Gardênia também destaca o reforço teórico. Isso porque, ao longo da pesquisa, a orientadora e o grupo de alunas não encontraram muitos outros trabalhos científicos sobre o assunto.