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Economia será mais movimentada com o retorno do Carnaval

Voltas dos desfiles e eventos de rua prometem aumentar a presença de turistas nas cidades e injetar mais de R$ 8,1 bilhões na economia brasileira

às 19h36
O Carnaval de Salvador (BA) é um dos mais concorridos e deve receber mais de 800 mil turistas: retomada das festas de rua em todo o país anima a economia (Arquivo/Agência Brasil)
O Carnaval de Salvador (BA) é um dos mais concorridos e deve receber mais de 800 mil turistas: retomada das festas de rua em todo o país anima a economia (Arquivo/Agência Brasil)
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A chegada do Carnaval e o início oficial dos grandes eventos de rua, como desfiles de blocos e de escolas de samba, gera uma grande expectativa pela retomada destes eventos, após uma pausa forçada de dois anos, por causa da pandemia de Covid-19. Esta retomada promete muito mais do que “matar as saudades” dos foliões, ou mesmo proporcionar uma folga prolongada para quem não gosta das festas momescas. Um segmento importante de trabalhadores e empresários vê neste período uma grande oportunidade de geração de emprego e renda. 

É o que mostram os dados de uma estatística da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). De acordo com a entidade, a receita que deve ser gerada com o feriadão de Carnaval pode chegar a R$ 8,18 bilhões. O valor ainda é 3,3% menor em relação ao último carnaval de rua antes da pandemia, em 2020, mas já consegue ser 26,9% maior que em 2022, quando as folias foram parcialmente retomadas, ainda que sob protocolos de segurança. 

O economista e professor Josenito Oliveira, do curso de Administração da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe), considera que muitos setores da economia são impactados de forma positiva pelo Carnaval. “De uma maneira geral, qualquer evento cultural, esportivo ou religioso acaba movimentando uma cadeia que é muito grande e emprega muita, o que é bom para todo mundo. Isto mexe com a economia, que vive de consumo. Se não tem consumo, tudo fica paralisado. E a cadeia de eventos estimula bastante esse consumo, o que é muito bom para a nossa economia”, afirma.  

Folia (ou folga) dos turistas

Entre os principais componentes dessa cadeia produtiva ligada às festas, ao lazer e ao entretenimento, estão os de turismo, hotéis, bares, restaurantes e transporte, incluindo táxis, ônibus, aplicativos e aviões. “As empresas colocam ônibus extras do transporte intermunicipal, reforçando o transporte entre as cidades. Como também o transporte aéreo é movimentado tanto dentro do país, tanto levando turistas de um estado para outro como trazendo os turistas do exterior. Então, há uma movimentação muito grande no transporte de uma maneira geral”, exemplifica Josenito. 

Isso acontece porque parte do público, que não gosta de Carnaval, vai para cidades do interior, áreas rurais e até capitais onde a festa não é tão intensa, como Aracaju (SE) e Maceió (AL), e nelas aproveitam o feriadão para descansar, curtir a folga ou mesmo fazer um “retiro”. Outras preferem cidades onde o carnaval é mais intenso e mais tradicional, com grandes desfiles de rua. 

Uma delas é Salvador (BA), que espera mais de 800 mil visitantes e cerca de R$ 1,8 bilhão em receitas. Recife e Olinda (PE) aguardam por mais de 4 milhões de visitantes durante a festa embalada pelo frevo e pelo maracatu. E o Rio de Janeiro, conhecido em todo o mundo pelos desfiles de escolas de samba, terá  uma movimentação econômica de R$ 4,5 bilhões. A capital fluminense também experimentou uma explosão dos blocos carnavalescos, com grandes multidões atrás das baterias e trios elétricos. Foi o que aconteceu também em metrópoles como São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). 

Com a presença dos turistas, inclusive os estrangeiros que vão para os carnavais das maiores cidades, a movimentação de turistas e de recursos será mais intensa nos hotéis, nos bares e nos restaurantes. É uma tendência que vem se consolidando desde meados do ano passado, quando praticamente todas as cidades suspenderam as medidas de restrição contra a Covid-19 e liberaram a realização de eventos públicos, o que permitiu a retomada das festas, inclusive das prévias carnavalescas. “Muitas festas já aconteceram neste ano, e as pessoas estavam sedentas por isto. Isso foi muito bom para toda a cadeia de eventos e também para a sociedade de modo geral, que volta a ter acesso aos grandes eventos”, diz o professor. 

Quem fecha

Josenito avalia ainda que o impacto do carnaval para a economia é mais positivo, até mesmo para setores que tradicionalmente não funcionam nos dias da festa, devido aos feriados e pontos facultativos decretados em praticamente todo o país. É o caso do comércio tradicional, que deixa de funcionar durante as festas e volta a abrir na tarde da Quarta-Feira de Cinzas, mas recebe um movimento mais intenso nos dias que antecedem o Carnaval. “Antes do Carnaval, é lá no comércio tradicional onde as pessoas vão fazer as suas compras de fantasias, de adereços, material para confeccionar fantasias… É lógico que o comércio tradicional, por conta desse fechamento de uns três ou quatro dias, muitos empresários se sentem prejudicados, não em sua maioria”, avalia ele. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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