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Tiradentes e Ulpiano: os nossos primeiros inspiradores

Saiba quem foram esses grandes personagens históricos que inspiraram o nome, o lema e os valores do Grupo Tiradentes, desde sua fundação, em 1962

às 13h26
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), líder e mártir da Inconfidência Mineira
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), líder e mártir da Inconfidência Mineira
Eneu Domício Ulpiano (150-222 d.C.) foi um influente jurista do antigo Império Romano
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Às vésperas de seus 59 anos, o Grupo Tiradentes conta a história de dois de seus principais inspiradores, cujos nomes estão entranhados na formação de sua história e de sua missão: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder e mártir da chamada Inconfidência Mineira, e Ulpiano, jurista do antigo Império Romano, cuja obra é considerada uma das bases para a formação do Direito ocidental. 

Tiradentes foi o escolhido pelo fundador do Grupo, Jouberto Uchôa de Mendonça, para ser o nome e o patrono do então Colégio Tiradentes, por ocasião de sua fundação, em 1962. A mãe do fundador, Cândida Mendonça, foi quem o influenciou na escolha e na decisão de destacar, entre os estudantes e a sociedade, os valores e os ideais defendidos pelo líder inconfidente. Nos primeiros anos, o colégio promoveu solenidades, desfiles e homenagens públicas a Tiradentes pelas ruas de Aracaju, como forma de destacar e ensinar esses valores, que permanecem até hoje. 

Valores que se somam à frase de Ulpiano, um resumo dos três princípios básicos da lei romana e adotado séculos depois como lema e regra de princípios pelo Grupo: “Viver honestamente, a ninguém ofender, dar a cada um o que é seu”. São práticas que também baseiam o Código de Conduta da instituição, consolidando princípios e valores como ética, respeito, humildade, compromisso, inovação, eficiência e responsabilidade social, garantindo um trabalho de qualidade à serviço da educação, da sociedade e do Brasil. 

Tiradentes

Nascido no dia 12 de novembro de 1746 em Fazenda do Pombal, região do atual município de Ritápolis (MG), Joaquim era o quarto dos sete filhos do português Domingos da Silva Santos e de Antônia da Encarnação Xavier, nascida na antiga Capitania de Minas Gerais. Perdeu os pais ainda criança e passou a ser criado por um dos tios, que era cirurgião-dentista e lhe ensinou o ofício, pelo qual acabou recebendo mais tarde o apelido de “Tiradentes”. Por um bom tempo, atuou como dentista, boticário e mascate, tendo feito muitas viagens pelo interior da capitania. 

Aos 29 anos, ele ingressa no Regimento Regular de Cavalaria de Minas, uma divisão do antigo exército real português, responsável por manter a segurança da capitania e cumprir as ordens da Coroa. Tiradentes chega ao posto de alferes, equivalente hoje ao de segundo-tenente, e comanda a tropa responsável pela guarda da estrada que ligava o Rio de Janeiro, antiga capital da colônia, às principais cidades mineiras onde acontecia a exploração do ouro. Anos depois, o alferes passa a se aproximar de integrantes da elite da região, como os escritores Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. 

O grupo já tinha conhecimentos de teorias liberais e iluministas que surgiam à época na Europa e influenciaram revoluções e movimentos emancipatórios pelo mundo, como a independência dos Estados Unidos, em 1776. A essas influências, somou-se à insatisfação com as crescentes cobranças de impostos da Coroa Portuguesa, a qual exigia o pagamento de um quinto do ouro e de todas as pedras preciosas exploradas em Minas Gerais. A gota d’água foi em 1788, quando o governo da capitania decretou a “derrama”, uma ação de cobrança e recolhimento das quantias de ouro devidas, com uso das forças militares. 

Tiradentes e os inconfidentes estavam com todo o plano preparado para deflagrar uma revolta, depor o governador e decretar a independência da capitania. Mas a poucos dias da ação, tudo foi delatado às autoridades pelo fazendeiro Joaquim Silvério dos Reis. Nos dias seguintes, todos os participantes do movimento foram presos, julgados e degredados para colônias portuguesas na África. Tiradentes, por sua vez, foi levado ao Rio de Janeiro e condenado à morte pelos crimes de rebelião e alta traição, sendo enforcado em praça pública no dia 21 de abril de 1792.

As homenagens a Tiradentes começaram a ser prestadas oficialmente em 1890, no início da República, mas sua memória já era cultuada pelos movimentos republicanos, que viam no líder inconfidente um exemplo de luta pela liberdade e base para outras lutas. “Morria um patriota, cujo único crime foi o de querer a terra natal livre para seus irmãos. Por este sonho, pagou com a própria vida. O sangue do mártir foi derramado, mas brotou a semente da liberdade, plantada na mente de seus patriotas. Esta germinou, agigantando o desejo de ser livre, que, mais tarde, culminou com a Independência do Brasil. O ideal de Tiradentes foi alcançado”, diz uma mensagem divulgada em 2008 pelo comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro – desde 1946, o alferes mineiro também é considerado patrono das polícias militares de todo o Brasil. 

Ulpiano

O outro inspirador veio de tempos ainda mais antigos. Eneu Domício Ulpiano nasceu no ano 150 em Tiro, atual cidade de Sur, no Líbano. Poucas informações foram coletadas ao longo da história sobre a biografia dele, mas sabe-se que ele foi formado por outro jurista importante da época: Papiniano, que chegou a ser prefeito pretoriano, ou seja, um dos principais governantes auxiliares do antigo imperador de Roma. Depois, ocupou outras funções e chegou ao comando da Guarda Pretoriana, em 222, mas acabou assassinado um ano depois, durante uma conspiração. 

Atuando também como economista, demógrafo, historiador e administrador público, Ulpiano foi autor de 83 trabalhos, entre tratados, livros de ofícios e tratados que versavam sobre diversas regras e compilavam leis e decretos já existentes na época. Esses trabalhos acabaram servindo como uma das bases para a criação do Corpus Iuris Civilis (Corpo de Lei Civil), baixado na década de 520 pelo imperador Justiniano, e que depois foi fonte para todos os principais códigos jurídicos que surgiram pelos países do Ocidente, ao longo dos séculos. 

A máxima da frase adotada pelo lema pelo Grupo resumia basicamente o que um cidadão deveria fazer para não sofrer as punições da lei e do Estado: garantir a honestidade pública e os bons costumes (viver honestamente), ser justo com as pessoas e não desrespeitar, nem prejudicá-las e nem causar mal a elas (a ninguém ofender), e cumprir os pactos, tratados e combinados, reconhecendo os direitos de cada um (dar a cada um o que é seu). 

Asscom | Grupo Tiradentes 

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