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"Sexo remoto" ganhou força com Pandemia

Assim como o trabalho à distância, a sexualidade também se adequou na pandemia, com uso de artifícios virtuais como vídeos, nudes e aplicativos de relacionamento. Como será daqui para frente, quais cuidados e riscos?

às 20h58
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Quando se pensa em relações sexuais, o que vem à mente é contato, toque, pele, cheiro. Todas as questões sensoriais e físicas que envolvem o tema. Porém, em tempos de pandemia, as definições foram atualizadas e muita coisa mudou. Com o isolamento e o distanciamento social, como ficaram os relacionamentos? E principalmente, como o sexo ficou? A resposta é clara: ele também se adaptou. Assim como o trabalho à distância, a sexualidade também virou remota, por meio de artifícios do meio virtual e da inovação. A regra é simples: se reinventar.

Para entender o sexo remoto, é preciso observar a necessidade do ser humano de estar em contato com outras pessoas, através da sexualidade e nem sempre isso significa o ato sexual. “A sexualidade é uma energia positiva que qualquer ser humano tem e possui, que direciona para sensação de prazer e de realizações. É ela que faz a gente trabalhar, se encontrar com amigos e ser o que a gente é. Ela ajuda também em relacionamentos afetivos, que vão desde o crush até uma relação sexual”, explicou Betinha Fernandes, Doutora em Saúde Materno Infantil, Mestra em Pediatria e especialista em Saúde Integral do Adolescente, com formação em Psicoterapia de base psicanalítica.

Em seus atendimentos no período pandêmico, Betinha percebeu que muitos adolescentes e jovens adultos – que vai dos 15 aos 24 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) -, mudaram a forma de se relacionar: com o distanciamento social. Eles adotaram uma nova forma de contato: o virtual.

“Muitos deles namoraram on-line. É algo muito comum hoje em dia, não só com eles, mas em qualquer idade. Então, eles procuraram se relacionar em aplicativos de relacionamento. Houve muito esse movimento, uma forma de tentar substituir o presencial, que não era possível. Porém, os casais que já existiam, se mantiveram firmes Por outro lado, muitos terminaram por conta da distância”, esclareceu Betinha, que é também professora da Unit-PE e é autora e coautora de artigos e vários capítulos em livros. 

Recursos e cuidados

Conforme Betinha, o meio virtual proporciona muitos estilos diferentes de relacionamento, favorecendo a questão do “remoto” da pandemia. E vários artifícios podem ser usados: o sexting, que é sexo por mensagens de texto – falando conteúdos eróticos, os usuários da internet estabelecem uma conexão -, a troca de nudes nas redes sociais – as fotos sensuais, sem peças de roupa -, e até o sexo sozinho, com o auxílio de apetrechos eróticos e vídeos. Por outro lado, o cuidado no meio on-line deve ser redobrado, já que existem diversos recursos e usuários na rede. 

Para ela, exercer a sexualidade por meio virtual pode ser saudável em tempos de pandemia, quando é com alguém que já conheça e se tenha segurança. Com novos contatos, a médica sempre aconselha ter cuidado com o catfish, que é alguém que se passa por uma pessoa sem ser e também ficar atento ao enviar nudes, porque muita gente pode compartilhar. Por isso, é importante ter a educação sexual. 

O cuidado também se reflete com filhos e mais jovens. “É importante que os pais conversem e expliquem que muitas imagens e vídeos não são reais, que são coreografados. Estabelecer a idade para ver certos conteúdos também deve ser feito. É preciso ter cuidado também com os sites, já que contém vírus”, alertou.

Afetividade

Em um futuro próximo, o sexo remoto continuará fazendo parte dos relacionamentos, sejam eles duradouros ou não. “A tecnologia ajuda muito no processo, com os celulares, possíveis robôs e novas perspectivas. No futuro, espero que se tenha respeito e seja consensual para maiores da idade, com afetividade. É possível que haja também uma mudança, não sei como será com robôs, mas se tiver, será de uma forma bem humanizada. O que continua sendo utilizado são os brinquedos sexuais e os bonecos infláveis, que também participam bastante da sexualidade”, falou a terapeuta. 

Ela acrescentou que um exemplo de hábito antigo que provavelmente permanecerá é o acesso aos vídeos pornográficos. Segundo ela, isso também pode ser considerado um auxílio à sexualidade remota. “É bom ter moderação, porque pode se tornar uma atividade compulsiva ou fetiche, dificultando a realização da relação afetiva”, explicou.

Betinha orienta e reforça a necessidade da educação digital, que é a explicação sobre os perigos da internet e a maneira correta de sua utilização: “conversar com pessoas estranhas é perigoso, assim como mandar nudes para elas, já que podem cair em mãos indevidas. A vítima pode cair até em uma rede de exploração ou de pedofilia. Então, é importante diálogo, orientação e não dar senhas ou endereços”, ressaltou.

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