Os projetos de iniciação científica realizados por estudantes de graduação têm o objetivo de trazer benefícios não só para os alunos envolvidos, como também para a sociedade. Um exemplo é o projeto “Detecção do Câncer Oral com a Inteligência Artificial”, de Adyla Oliveira, discente do 4º período do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão. Ainda em estágios iniciais, a pesquisa propõe uma discussão sobre a doença, a partir do uso da tecnologia para combatê-la.
Formada em Odontologia, Adyla uniu os conhecimentos adquiridos na graduação anterior ao que vem aprendendo no curso de ADS da Unit-PE. “A ideia do projeto surgiu na construção do TCC para a minha graduação em Odontologia”, diz. “Oficialmente, a pesquisa iniciou no primeiro semestre, porém tivemos que abrir seleção para novos alunos e estamos para retomá-lo no segundo semestre de 2025”, acrescenta. Até agora, a equipe, que também conta com João Carmo Neto e Luana Paes, egressos do curso de ADS da Unit-PE, já realizou a revisão de literatura, que deve ser aprimorada.
Tecnologia no combate à doença
Segundo Adyla, os próximos passos do projeto envolvem afunilar as pesquisas e criar um protótipo da ferramenta que vai auxiliar na detecção do câncer oral. “Esperamos desenvolver um sistema útil para clínicas odontológicas públicas e particulares, tornando ágil a detecção e assim o tratamento dessa doença, diminuindo a taxa de mortalidade atual no Brasil por câncer oral”, detalha. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil registrou mais de 6 mil óbitos por câncer da cavidade oral em 2020, correspondendo a um risco de morte de 2,92 por 100 mil habitantes.
“Falar sobre esse assunto é muito relevante, pois essa doença se agrava gradativamente e pode se tornar imperceptível quando o cirurgião-dentista não tem especialização ou recursos para sua análise, ou o paciente não sabe a gravidade da doença que atinge sua cavidade oral”, pontua Adyla. Por isso, o projeto busca desenvolver uma inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico da doença, o que é uma tendência na área da saúde. Uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostra que 4.779 estabelecimentos de saúde faziam uso de inteligência artificial no Brasil em 2024. Mesmo assim, Adyla reforça que a tecnologia não substitui a avaliação de um cirurgião-dentista.