Após a perda de um ente querido, ou mesmo depois do rompimento de um laço emocional muito forte, o luto surge como uma resposta emocional de sofrimento. Esse mecanismo se manifesta de diferentes formas, dependendo de vários fatores, como a relação com a perda, o tipo de apoio familiar ou social e a personalidade. Devido à subjetividade do luto, não existe um período específico de duração. Ainda assim, a Associação Americana de Psiquiatria definiu alguns parâmetros para ajudar a identificar o luto patológico, que não é saudável e que deve ser tratado.
Negação
O processo de luto é comumente dividido em cinco fases. Considerada a primeira, a negação tem uma forte carga emotiva, funcionando como uma maneira da mente tentar evitar o sofrimento. Isso se caracteriza através de pensamentos como “não acredito que isso aconteceu” ou “isso é mentira”. É considerada um mecanismo de defesa nessa fase, pois a dor é aplacada em pouco tempo, já que a aceitação parcial começa a surgir nesse período.
Raiva
Após negar o acontecido, a pessoa pode experimentar sentimentos de raiva, que podem ser acompanhados de outros sinais como choro constante, aborrecimento fácil e ansiedade. É comum sentir raiva de si mesmo, por exemplo, por achar que poderia ter feito algo para evitar a perda. Quem está de fora também consegue sentir até raiva do enlutado, ainda que este não tenha culpa e saiba disso. A vulnerabilidade do outro antes e depois de partir causa a sensação de incapacidade em não poder ajudar.
Barganha
A dificuldade para aceitar a realidade ainda resiste e, por isso, o indivíduo pode tentar chegar a um acordo para sair da situação que está vivendo. Nesta fase, a pessoa pode se apegar à fé e tentar negociar com aquilo em que acredita, para que tudo volte a ser como era antes, um sentimento vem de forma inconsciente.
Depressão
A sensação de melancolia, impotência, desesperança e culpa são sensações que estão presentes nessa fase e podem permear a interação social. Por mais que nesta fase a pessoa comece a ter maior noção da realidade e de que o que aconteceu não pode ser resolvido, o apoio familiar e dos amigos é mais necessário. O depressivo precisa se dar conta da própria situação e trabalhar com ela voluntariamente.
Aceitação
Aqui se inicia a recuperação dos hábitos anteriores ao acontecimento que causou a perda, retomando a rotina diária normal. É a partir desta fase que a pessoa também passa a estar mais disponível para as relações sociais com amigos e família, passando a agregar a realidade e aceitar as coisas como elas são e aconteceram. A saudade deixa de ser sinônimo de angústia e passa a ser nostalgia, marcando os momentos felizes que tiveram juntos.
Lidando com o luto
Apesar da divisão das cinco fases, o luto não precisa ser um processo linear e nem é igual em todos os casos. É possível transitar entre as fases, pular algumas, voltar para fases anteriores, ou sentir algumas mais intensamente do que outras. De qualquer forma, o auxílio da psicoterapia ajuda o indivíduo a passar pelo processo da melhor forma, processando e acolhendo todos os sentimentos. O ideal em momentos como esse é não reprimir e nem julgar as próprias emoções, entendendo que todas fazem parte do processo. Também é fundamental não se isolar, procurando apoio em amigos e familiares, e buscar dar continuidade às atividades do dia a dia e também de lazer.