A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra um aumento no adoecimento mental em pessoas de 18 a 21 anos: de 2013 a 2019, a taxa de depressão foi de 2,47% a 6,23%. Hábitos não saudáveis e mudanças na vida, como a entrada na universidade, estão entre os agravantes. Além disso, pesquisas também apontam que a pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento nos casos de ansiedade e depressão em universitários. Hoje, cerca de 54% dos estudantes de ensino superior têm depressão, enquanto 49% apresentam ansiedade, segundo uma pesquisa feita em 12 universidades brasileiras.
Foi esse cenário que motivou o surgimento do projeto de iniciação científica “Depressão e Ansiedade em Estudantes Universitários: Importância do Rastreamento Precoce”, do curso de Enfermagem do Centro Universitário Tiradentes – UNIT. “Além disso, durante a atuação docente e o acompanhamento de estudantes na graduação, tornou-se evidente a necessidade de discutir a saúde mental no ambiente universitário de forma mais aprofundada e científica”, acrescenta a Profª Dra. Andréa Rosane, orientadora da pesquisa.
“Os estudantes universitários constituem um grupo frequentemente exposto a fatores estressores importantes, como sobrecarga acadêmica, cobranças profissionais, insegurança em relação ao futuro, dificuldades financeiras e desafios emocionais relacionados à vida pessoal e acadêmica”, pontua a professora. Esses aspectos, que trazem uma pressão emocional, podem impactar diretamente a saúde mental e a qualidade de vida.
Maior atenção à saúde mental
O projeto teve início no primeiro semestre de 2026 e ainda está em fase de estruturação metodológica e de levantamento bibliográfico. Além da revisão de literatura, o trabalho também tem a proposta de ser feito por meio de uma pesquisa de campo. O intuito é entender os principais fatores associados à ansiedade e à depressão em estudantes universitário e analisar os impactos na vida acadêmica e social. Por isso, a professora e os alunos envolvidos na pesquisa estão realizando a definição das etapas de coleta e da análise dos dados.
Segundo Andréa, trazer a discussão da saúde mental para o contexto universitário é de extrema importância, já que permite uma maior visibilidade a um problema crescente e que muitas vezes permanece silencioso. “A pesquisa pode contribuir para construção de estratégias institucionais de apoio psicológico, fortalecimento das políticas de promoção da saúde mental e desenvolvimento de ambientes acadêmicos mais acolhedores”, comenta.
Além disso, a professora ressalta a importância de abordar esse tema no curso de Enfermagem, área que não costuma ser associada à saúde mental. “A Enfermagem possui papel fundamental na promoção, prevenção e cuidado em saúde mental. O enfermeiro atua desde a escuta qualificada e acolhimento até o desenvolvimento de ações educativas, a identificação precoce do sofrimento psíquico e o encaminhamento adequado dos usuários nos diferentes níveis de atenção à saúde”, defende Andréa. Por isso, ela afirma que a pesquisa também contribui para fortalecer práticas de cuidado integral e humanizado.
Acolhimento
Nesse sentido, a orientadora da pesquisa conta que o objetivo principal é trazer um maior apoio para os estudantes universitários. Isso será feito a partir da compreensão dos fatores relacionados ao adoecimento mental em universitários e da identificação dos impactos emocionais, acadêmicos e sociais. “Espera-se que os resultados possam contribuir para ampliar o debate sobre saúde mental na universidade e subsidiar ações de prevenção, cuidado e promoção da saúde voltadas ao público acadêmico”, diz Andréa.