Influenciados pelo iluminismo e revoluções separatistas que aconteciam ao redor do mundo, militares, religiosos e comerciantes iniciaram, em 1817, uma articulação para levantar um projeto de governo próprio para Pernambuco. A insatisfação com os impostos cobrados pela Coroa Portuguesa e a crise econômica também motivaram o movimento.
Em 6 de março de 1817, ainda na época do Brasil Colônia, a manifestação a favor da independência do estado marcou um momento histórico. Pernambuco decidiu que queria ser independente, cinco anos antes do próprio Brasil cortar ligações com o governo português, tornando-se o pioneiro nos movimentos republicanos no Brasil. Como resultado, Pernambuco foi um país independente por mais de 70 dias, até a Coroa suprimir a revolução.
História
A Carta Magna de Pernambuco foi a primeira constituição brasileira. Estabelecida durante a Revolução Pernambucana, representava o desejo de autonomia e defendia princípios como liberdade política, independência administrativa, a separação entre Estado e Igreja e participação democrática do povo nas decisões governamentais, rompendo com a Coroa Portuguesa e instituindo uma república.
Ganhando cada vez mais força, a ideia de revolução foi se espalhando por Pernambuco e ganhando apoio de outros grupos sociais, além de alcançar outras capitanias, como a da Paraíba e do Rio Grande do Norte. O movimento, que apelidou o atual estado de “Leão do Norte”, representando a bravura do povo, pretendia organizar um governo provisório e buscar apoio externo. O objetivo era tentar um reconhecimento internacional e efetivação da nova república, criando uma bandeira e uma constituição provisória.
No entanto, embora a determinação e organização política dos revolucionários tenha fortalecido a manifestação e trazido ao povo pernambucano uma esperança de ascensão e autonomia, a Coroa Portuguesa reagiu de forma rígida e violenta, enviando várias tropas diretamente do Rio de Janeiro e da Bahia para cercar e prender os rebeldes. Assim, ao vencer a batalha, Portugal encerrou o movimento após cerca de dois meses e meio de governo republicano e enfraqueceu politicamente a capitania com punições administrativas.
Importância
Apesar da data simbolizar a força da população unida a favor da liberdade e impactar até os dias de hoje o amor incondicional dos pernambucanos pelo estado, o feriado do dia 6 de março só foi aprovado por lei em 2017, 200 anos depois da revolução. Mesmo que Pernambuco só tenha sido país durante 75 dias, deixou um legado profundo na formação do pensamento político brasileiro, transformando a revolução em um símbolo da tradição pernambucana de resistência, coragem e protagonismo histórico.