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Extensão une vivência e bagagem para a vida

Além do aprendizado e desenvolvimento de habilidades na área, atividades com a comunidade também trazem experiências pessoais e permitem transformação da sociedade. Alunos relatam o que aprenderam em suas jornada

às 20h57
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Era para ser só uma atividade. Uma execução de ações feitas pelo curso. Uma forma de colocar em prática teoria vista nas aulas. Aí, era só receber nota, certificado de participação e pronto. Mas não é só isso. A realidade mostrou que a vivência com e para a comunidade é bem maior do que mero cumprimento de tarefas de extensão. São experiências que se levam para a vida. Além do aprendizado técnico, geram momentos de interação com sonhos, alegrias, expectativas e inquietações.

Foi o que aconteceu com Rute Cristina, estudante de Serviço Social da Unit-PE. Em meio ao projeto de extensão Fruto do Espírito, ela obteve muito mais do que a prática do curso, conseguindo transmitir e receber amor e conversas. A iniciativa é vinculada à igreja e tem como objetivo visitar orfanatos e asilos, levando roupas, alimentos e brinquedos. “O projeto me fez crescer como pessoa e aprender sobre empatia, compaixão e dedicação ao próximo. Ele também me fez crescer na vida profissional, já que agora me encontro no sexto período e vejo quão rica é essa profissão, que trata não só de caridade, mas de garantia de direitos”, afirmou.

Em meio a tantos momentos inesquecíveis e visitas atenciosas, a estudante relembra que os melhores foram os que ela pôde transmitir carinho para as pessoas. “Nunca vou me esquecer do dia em que uma menina de 12 anos me empurrava e dizia que eu era feia. Fiquei bem triste e chateada, respirei fundo e depois dei um abraço nela. Quando fiz isso, ela chorou muito e eu percebi que ela afastava as pessoas sendo rude, como uma forma de defesa mesmo. Depois, ela me contou a história dela e compreendi que ela passou por muita coisa”, relembrou. Ela recorda ainda que as conversas com os idosos também foram marcantes. “Muitos só queriam um sorriso ou abraço”, contou.

Rede de apoio e empatia

Quem também tem histórias para contar sobre seu contato com a comunidade é o estudante de Medicina Felipe Melo, que participa do Ambulatório LGBT de Jaboatão dos Guararapes. Com o projeto, que amplia o acesso à saúde de qualidade, além de apoiar a construção de uma rede de apoio e empatia em torno da comunidade LGBTQIA+, ele disse que ampliou o conhecimento de mundo perante as práticas realizadas. Sem falar do contato com as pessoas que precisam de atendimento – e mais além, de empatia. “Acolher homens e mulheres trans que buscam a terapia de hormonização para adequação do gênero ao qual se identificam, conversar, apoiar e interagir com as pessoas são as melhores coisas do projeto”, contou Felipe. 

Sobre a sua lembrança inesquecível do dia a dia no ambulatório, ele recorda o caso de paciente de 23 anos, que foi em busca de tratamento. “Ela chegou muito fechada, desconfortável e estressada, já que tinha dado início ao tratamento, mas a pandemia e a burocracia atrapalharam o processo, então desistiu. Quando ela soube do nosso projeto pelo Instagram, ela renovou a esperança e foi até nós. Bastou a escuta empática e o diálogo que ela já sorriu”, lembrou. 

É como se tivesse aberto portas e possibilidades. “Por baixo da máscara, ao saber que finalmente poderia se ver e se mostrar como realmente era, ela abriu um dos sorrisos mais lindos que já vi. Ela sorriu com os olhos. Nunca vou me esquecer disso”, recordou.

Felipe e Rute não deixam de lado a importância e incentivo para quem tem interesse na prática: “as atividades são importantes porque os alunos têm a chance de retribuir à sociedade, ainda na graduação, os conhecimentos adquiridos, desenvolvendo boas práticas e aprimorando a interação”, opinou Felipe. Rute também destaca a valorização do curso e um meio de impulsionar a carreira. “Os projetos são importantes porque a gente vê a realidade das pessoas. No meu caso, e acredito que de todo aluno que fizer, as atividades são um caminho para a vida profissional, além de conhecimento adquirido”, ressaltou a estudante.

Transformação da sociedade

As pesquisas de extensão são projetos criados por estudantes e professores no percurso da vida acadêmica, como forma de auxiliar a fixar a matéria estudada e colocar a teoria em prática, através do contato com a comunidade fora da faculdade. O que não se espera é que essas atividades favorecem não só o conhecimento acadêmico, mas também podem beneficiar os alunos de várias formas, seja através de conversas com pacientes na clínica escola, elaboração de temas ou palestras, levantando questões importantes como empatia, cuidado e valorização.

Mesmo com a pandemia, os projetos da Unit-PE continuam funcionando. Com a maioria das atividades, reuniões e apresentações sendo realizadas de forma remota, a experiência continua sendo proveitosa para os alunos. Com parcerias firmadas com órgãos públicos, entidades do setor privado e organizações, além das iniciativas próprias, o Grupo Tiradentes busca o desenvolvimento dos estudantes através dos projetos de extensão – como meio transformados deles e da sociedade.

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