O Ministério da Saúde estima que mais de 8 milhões de brasileiros tenham dislexia, o que corresponde a cerca de 4% da população. Essa condição é entendida como um distúrbio de aprendizagem ou neurodesenvolvimento que afeta as habilidades de leitura e linguagem, trazendo dificuldades para o paciente de ler, escrever e soletrar. Em crianças, podem ocorrer atrasos no desenvolvimento da fala e problemas para aprender rimas e sequências. Já em jovens e adultos, leitura e escrita lentas, erros de ortografia frequentes, dificuldade em resumir textos e em aprender línguas estrangeiras.
Possíveis causas
Os fatores que podem causar a dislexia não são completamente compreendidos. No entanto, algumas das possíveis causas associadas incluem fatores genéticos, o que sugere que quando um dos pais tem dislexia, a probabilidade de um filho desenvolvê-la pode ser maior em comparação com outros casos. Pessoas com dislexia também podem apresentar diferenças na estrutura e funcionamento do cérebro, especialmente nas áreas associadas à linguagem e leitura, e problemas no processamento fonológico, já que a dislexia reflete a dificuldade de reconhecer e manipular os sons da linguagem.
Sintomas
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e também nas áreas de desenvolvimento como fala, escrita e leitura. Geralmente, os sinais aparecem quando o indivíduo é inserido na alfabetização. Os mais recorrentes são:
- Atraso no desenvolvimento da fala;
- Problemas para formar palavras de forma correta, como trocar a ordem dos sons;
- Dificuldade em memorizar e lembrar-se de palavras comuns;
- Dificuldade na organização do pensamento ao escrever;
- Vocabulário reduzido;
- Leitura lenta;
- Fraco desenvolvimento da atenção e da coordenação motora;
- Dificuldade com quebra-cabeças;
- Omissões, substituições e inversões de letras e/ou sílabas;
- Dificuldade na produção textual, com velocidade abaixo do esperado para a idade e a escolaridade.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico pode ser feito por meio de uma avaliação realizada por profissionais qualificados. Em geral, o processo de diagnóstico inclui, por exemplo, entrevistas com os responsáveis e pessoas que convivem com o indivíduo, para obter informações sobre o histórico de desenvolvimento da criança ou adolescene. Também é feita uma avaliação da leitura e de habilidades relacionadas, e análise atenciosa do processamento fonológico, que trata de testes específicos para avaliar a capacidade da criança em manipular e processar sons da fala.
Já o tratamento utiliza de terapia fonoaudiológica para aperfeiçoar funções relacionadas à fala, respiração e mastigação, utilização da psicopedagogia para analisar e desenvolver estratégias para superar deficiências e dificuldades no aprendizado. Psicólogos também realizam avaliações para identificar a presença da dislexia e avaliar seu impacto nas habilidades gerais do indivíduo.