Durante anos, a presença feminina em locais de liderança e de ciência foi invisibilizada e colocada como um tabu. No âmbito da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) isso não é diferente. De acordo com o Censo de Diversidade no setor TIC, elaborado em 2024 pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), as mulheres representam cerca de 34% da força de trabalho.
Apesar de haver um aumento da presença feminina no setor de TIC nos últimos anos, esse percentual ainda é baixo, principalmente considerando que as mulheres compõem pouco mais de 50% da população brasileira. No entanto, essa conquista por espaços não significa apenas uma questão de justiça social ou reparação histórica, mas também um pilar fundamental para a inovação. A tecnologia molda o futuro da humanidade e, quando as mulheres são excluídas do processo de criação, ela nasce com falhas e pontos cegos.
A presença feminina é vital
Tecnologia, comunicação, inovação e futuro são termos que andam juntos, principalmente com a diversidade, que é o combustível da evolução. Mulheres trazem vivências, necessidades e formas de resolução de problemas diferentes de homens, o que resulta em soluções criativas e mais abrangentes. Além disso, a falta de personagens femininas em grandes espaços leva a um problema de representatividade, em que muitas meninas podem não ver a si mesmas dentro desses lugares. Por isso, é importante manter a presença da mulher para incentivar as profissionais do futuro.
Rillary Luize e Nayelle Fonseca, alunas do 3º período do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, fazem parte dessa ocupação de espaços pelas mulheres e acreditam que as pessoas presentes no trabalho e o ambiente construído podem ser grandes desafios nesse processo. “Sinto que sou mais cobrada: parece que preciso saber de tudo antes mesmo de aprender, para que ninguém julgue minha capacidade”, diz Rillary.
Além disso, a estudante sente que, nesse ambiente majoritariamente masculino, um erro pode determinar a percepção de outras pessoas sobre o seu nível de conhecimento. No mesmo sentido, Nayelle diz que estar inserida em um ciclo masculino pode fazer as mulheres se sentirem mais inferiorizadas. “Existe uma pressão interna de querer sempre parecer inteligente e dominar todos os assuntos da área”, desabafa a estudante.
Mais mulheres na tecnologia
A inclusão de mais mulheres no setor de tecnologia pode ajudar a suprir o déficit de talentos global, já que há mais vagas abertas do que profissionais qualificados. “Acredito que muitas meninas ainda são desestimuladas pela sociedade a seguir carreiras que são vistas como masculinas”, diz Rillary. Ela alerta sobre a separação de gêneros em áreas profissionais, problema que hoje, com mais acesso à informação, vem se desmistificando e fazendo com que mulheres aprendam que podem atuar em diversas áreas, inclusive na tecnologia.
Falando sobre pertencimento e identidade, Rillary acredita que simplificar a forma como os cursos da área são divulgados, usando uma linguagem menos técnica e mais direta, pode aumentar a presença feminina. Além do incentivo, “ajuda muito ter mais mulheres ensinando que a tecnologia não é feita só de lógica e cálculos, mas que envolve criatividade e o desejo de melhorar a sociedade com ideias inovadoras”, finaliza a aluna.