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Biometria facial pode substituir senhas e combater golpes, mas exige atenção aos dados

Com quase 40% da população monitorada, o uso de padrões faciais substitui senhas frágeis, mas traz desafios éticos e de privacidade sob a LGPD

às 15h08
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A cada avanço tecnológico que aprimora plataformas na web, os procedimentos de segurança também vão se desenvolvendo de acordo com as demandas digitais. Atualmente, a biometria facial tem substituído o uso de senhas em vários sistemas operacionais como um método mais seguro. Com base em padrões únicos do rosto, essa tecnologia dificulta fraudes, evita acessos indevidos e já é usada em bancos, e-commerces e sistemas corporativos, sendo uma resposta ao aumento de crimes cibernéticos e outras ameaças digitais que ficaram mais frequentes e difíceis de detectar.

Biometria na prevenção a golpes

Segundo dados do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), em abril de 2025, pelo menos 376 projetos de reconhecimento facial estavam em operação no Brasil, uma dimensão capaz de monitorar quase 40% da população. Se as senhas tradicionais podem se tornar obsoletas futuramente, pode ser principalmente pela sua fragilidade estrutural. O uso muito comum de senhas fracas com combinações óbvias — como “1234” —, informações de fácil acesso, como nome e data de nascimento, ou reutilização de senhas tornam os dados pessoais um alvo mais fácil para criminosos.

A atuação da biometria no combate a essas atividades ilegais está na maior barreira contra clonagens, já que ao contrário de senhas ou tokens, os rostos não podem ser copiados com facilidade. Além disso, instituições bancárias já utilizam a biometria para evitar invasões e captura de dados, validando operações de alto valor, em processos de abertura de conta para impedir que golpistas usem documentos adulterados e na construção de um controle de acesso mais confiável. Isso garante que apenas autorizados acessem sistemas internos.

Atenção aos perigos 

Antes os sistemas reconhecimento facial eram baseados na simetria do rosto e em pontos fixos da face. Atualmente, técnicas mais avançadas de IA identificam rostos com altíssima precisão, mesmo com variações de iluminação, ângulos ou alterações faciais. No entanto, a preocupação é sobre como esse recurso está sendo utilizado de forma banal, muitas vezes feita por organizações sem a estrutura adequada para garantir a proteção necessária. 

Infelizmente essa tecnologia não está isenta de risco de vazamento de dados biométricos, uma vez que diferente de uma senha, dados biométricos não podem ser trocados em caso de vazamento. Por isso, caso haja uma falha na segurança, os dados estarão expostos permanentemente. A criptografia e políticas rígidas de acesso são vitais neste processo. Ademais, regiões com baixo acesso à conectividade podem encarar a biometria como um empecilho e não um facilitador. A coleta e o uso de dados biométricos estão sujeitos à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por isso é imprescindível informar o usuário com clareza sobre a finalidade da coleta. 

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