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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência chama atenção para a presença feminina na pesquisa

Apesar de maioria entre cientistas brasileiros, as mulheres ainda enfrentam dificuldades de permanecer no ambiente acadêmico

às 14h36
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No Brasil, mais mulheres tornam-se cientistas em relação aos homens, porém a maioria delas não consegue seguir na carreira acadêmica. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 57% das pessoas que concluem a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) são mulheres, mas elas compõem apenas 43% do corpo docente da pós-graduação.

Por isso, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, traz luz sobre os desafios enfrentados pelo público feminino nas universidades. Além disso, a data também chama a atenção para a importância da ampliação da participação das mulheres no campo da ciência.

Diferentes realidades

Para a Profª M.a. Jéssica Tenório, pesquisadora e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, existe uma série de fatores que dificultam o caminho acadêmico das mulheres. “Apesar de inúmeros avanços, ainda há uma cobrança implícita e explícita para que as mulheres provem sua competência e sejam capazes de se destacar no ambiente acadêmico. Além disso, a sobrecarga e o acúmulo de tarefas também afeta a permanência acadêmica”, pontua.

A estudante Mariana Polary, que está no 9º período do curso de Odontologia da UNIT e participa de um projeto de iniciação científica, considera que esses desafios muitas vezes aparecem em situações do cotidiano. “Em vários momentos, também sentimos que precisamos demonstrar nossa capacidade constantemente para sermos reconhecidas em espaços que também são nossos”, comenta.

Já Ruth Micaelly, aluna do 9º período do curso de Enfermagem da UNIT e que também participa de um projeto de iniciação científica, acredita que “um dos principais desafios seja conciliar os diversos papéis que a mulher exerce na sociedade. É difícil conciliar trabalho, deveres de casa, a própria pesquisa e a vida social”.

Mesmo com desafios em comum, Jéssica relembra que a situação não é a mesma para todas as mulheres. Ela reitera que a condição socioeconômica e a cor da pele, por exemplo, podem tornar a caminhada acadêmica ainda mais difícil. “Reconhecer essas diferenças é essencial, pois tratar a experiência feminina como homogênea apaga desigualdades e dificulta a construção de condições reais de permanência e reconhecimento acadêmico e científico”, reflete a professora.

Enriquecimento científico

“Quanto mais mulheres na pesquisa, mais realidades passam a ser consideradas, e isso influencia diretamente nos temas estudados e na forma de cuidar das pessoas. A presença feminina também inspira: quando uma estudante vê outra mulher pesquisando e sendo reconhecida, ela passa a se enxergar nesse lugar”, afirma Mariana. “As mulheres, historicamente e socialmente, são um grupo marginalizado devido ao machismo e à sociedade patriarcal em que vivemos. Portanto, a presença feminina no meio acadêmico e, principalmente, na ciência, é uma forma de mostrar que a mulher pode ser o que ela quiser”, aponta Ruth. 

“Fazer ciência nunca é um exercício neutro. As perguntas que formulamos, os objetos que escolhemos e a forma como interpretamos os dados carregam marcas de quem somos e do lugar de onde falamos”, complementa a professora de Psicologia. Segundo Jéssica, a presença das mulheres na área da pesquisa qualifica a ciência, traz novos pontos de vista e abre espaço para a discussão de novos problemas. “Quando as mulheres permanecem sub-representadas no campo científico, parte significativa da experiência humana segue sendo silenciada ou tratada como periférica, o que empobrece o próprio conhecimento produzido”, explica.

Caminho na ciência

A estudante de Odontologia conta que, no início da graduação, seu foco era aprender a atender bem os pacientes, mas isso mudou quando ela percebeu que muitas pessoas sequer tinham acesso aos tratamentos de saúde. “Essa inquietação foi o que me aproximou da pesquisa, porque entendi que ela permite olhar o problema de forma mais ampla e tentar melhorar a realidade, não apenas resolver casos isolados”, relata Mariana.

“A atuação em pesquisa surgiu em minha vida, há aproximadamente 10 anos, a partir dos desafios de um trabalho voluntário com pessoas diagnosticadas com Doença de Parkinson, realizado após a graduação em Psicologia”, conta Jéssica. “A falta de conhecimento da população sobre o tema e as dificuldades enfrentadas pelas pessoas diagnosticadas foi o que motivou minha inserção no âmbito da pesquisa e me levou a tentar a primeira seleção de mestrado”, complementa.

Ruth, por outro lado, sempre foi muito curiosa, característica que se intensificou durante a graduação. “Existem inúmeras mulheres que foram importantes para a ciência, como Marie Curie, Rosalind Franklin e Katherine Johnson, dentre outras. São nelas em que eu me inspiro, e é dessa forma que acredito que as mulheres devem se destacar na sociedade”, pondera.

Hoje, Mariana conduz um projeto de iniciação científica na UNIT, com foco nos desafios do pré-natal odontológico, que foi apresentado no 43º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP). A pesquisa de Ruth, que trata do atendimento de mulheres sáficas por profissionais de Enfermagem, foi vencedora do I Congresso SPES. Já Jéssica cursa o doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), investigando os processos identitários de pessoas com doença de Parkinson. Além disso, a professora também orienta o projeto de iniciação científica “Transmissões familiares: o que carregamos dos que nos antecedem”, com estudantes da UNIT.

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