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Projeto de alunas da Unit-PE sobre saúde de mulheres sáficas é vencedor em congresso internacional

A pesquisa visa entender as necessidades de mulheres que sentem atração por mulheres em atendimentos ginecológicos

às 15h43
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A assistência em saúde para mulheres sáficas foi o tema de um projeto de iniciação científica do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão —, vencedor no I Congresso SPES, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com o objetivo de identificar melhorias a serem feitas no atendimento de equipes de enfermagem a esse público, a pesquisa também se propõe a trazer educação em saúde para essas mulheres. O trabalho foi conduzido por duas alunas do curso de Enfermagem da Unit-PE.

Saúde das mulheres sáficas

O termo “sáfica” tem origem na Grécia Antiga, com a poetisa Safo, que viveu na ilha de Lesbos, e escrevia poemas sobre o amor entre mulheres. Assim, “sáfica” se refere a uma mulher que sente atração, exclusiva ou não, por outras mulheres, englobando lésbicas (termo que também surgiu a partir da poetisa) e mulheres bissexuais, por exemplo. Assim, as estudantes da Unit-PE que conduziram o projeto perceberam que esse público ainda enfrenta barreiras nos atendimentos em saúde, devido a ideologias patriarcais e heteronormativas na sociedade.

Ana Júlia, aluna do 8º período do curso de Enfermagem da Unit-PE e integrante da pesquisa, conta que a ideia surgiu juntamente com Ruth Micaelly, do 9º período. Em 2024, a dupla fez um resumo expandido para o III Congresso Brasileiro em Saúde da Mulher, intitulado “Assistência de Enfermagem à mulher lésbica e bissexual: uma revisão de literatura”, que ganhou menção honrosa. “Ficamos inquietas com a pequena quantidade de literatura sobre o tema e, principalmente, por esses estudos apontarem a negligência durante o atendimento para esse grupo. Com isso, tivemos a ideia de fazer um projeto de iniciação científica”, conta.

A pesquisa

A pesquisa teve início em abril de 2024 e vai seguir até fevereiro de 2026. Até o momento, a dupla reuniu informações em um ambulatório especializado na população LGBTQIAPN+, por meio de um questionário. As mulheres responderam perguntas sobre as suas experiências durante atendimentos ginecológicos com enfermeiros. “A maioria das equipes de enfermagem não sabe conduzir um atendimento para mulheres sáficas. Os profissionais utilizam suas ideologias e crenças pessoais durante a assistência, causando constrangimento, preconceito e exclusão dessas mulheres e, como consequência, elas deixam de procurar os serviços de saúde”, Ana Júlia pontua.

Por isso, a estudante reforça que o objetivo do trabalho é trazer esse debate para os futuros profissionais da Enfermagem e os já atuantes e diminuir os impactos de assistências inadequadas. “Pretendemos dar visibilidade para que os profissionais passem a enxergar a sexualidade como um dos determinantes da saúde e proporcionem um cuidado integral e equitativo, para que as mulheres sáficas se sintam seguras ao buscar atendimento. Isso contribui para a redução de infecções sexualmente transmissíveis e outras doenças. Não podemos negligenciar a saúde de ninguém, é questão de ética profissional”, acrescenta.

Vitória no Congresso SPES

Ao receber a notícia da vitória no painel Experiências que Transformam, do Congresso SPES, Ana Júlia diz que sentiu “alegria e orgulho, uma vez que o SPES é um congresso internacional”. “Sabíamos que seria uma oportunidade incrível, não só para nossa vida acadêmica e profissional, mas também para divulgar um tema tão importante e que merece visibilidade”, comenta. O sentimento também veio atrelado à gratidão à orientadora do projeto, Alicely Araújo, e ao coordenador de pesquisa e extensão da Unit-PE, Mário Gouveia.

Próximos passos

“Nosso objetivo, desde o início, é levar educação em saúde às mulheres sáficas além de compreender sua visão. Agora que já realizamos toda a coleta de dados, o próximo passo será finalizar uma cartilha educativa sobre a saúde sexual desse público, que será disponibilizada no local da pesquisa. Além disso, almejamos a publicação do nosso artigo final em uma revista com Qualis relevante para nosso currículo”, pontua Ana Júlia.

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