Explorando o gênero Neo-noir no cenário pernambucano, o mais novo filme de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, traz novamente o cinema brasileiro para as telonas. Estreando no dia 6 de novembro, o longa chega em mais de 730 cinemas e 1.400 salas de 370 cidades brasileiras, em uma estreia simultânea com Alemanha e Portugal.
Desde o Festival de Cannes, em maio, que rendeu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator (Wagner Moura), O Agente Secreto já levou 20 premiações. Por isso, representa uma das apostas favoritas do cinema nacional para o Oscar 2026, assim como aconteceu com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na cerimônia de 2025.
Sinopse
No filme, os anos 70 retornam, provocando um mergulho na alma de um país sob o período de ditadura. O protagonista Marcelo, interpretado por Wagner Moura — conhecido por Tropa de Elite, Guerra Civil e Saneamento Básico — é um professor de tecnologia pernambucano que retorna a Recife, sua cidade natal, para escapar de um passado violento e misterioso. No entanto, acaba percebendo que a capital não lhe oferece refúgio e nem paz, pois está repleta de perigos e segredos inquietantes.
O grande Recife também é um personagem presente no filme, que se passa durante a semana do carnaval, misturando energia efervescente, desejo, folia, tiroteios, matadores de aluguel e carros antigos. O filme busca resgatar a memória sobre os crimes e atos violentos cometidos durante o regime militar e conscientizar novamente o público para o efeito traumático deixado na sociedade brasileira de, silenciosamente, esquecer as marcas que a ditadura deixou.
O diretor
Kleber de Mendonça Vasconcellos Filho nasceu em Recife, em 22 de novembro de 1968, e tem uma carreira aclamada nacional e internacionalmente, por meio de filmes que frequentemente exploram as tensões sociais, urbanas e históricas do Brasil, principalmente sob o olhar focado em Pernambuco. Kleber se formou em jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco, mas sempre teve o desejo pelo cinema. A união dos dois cursos é muito evidente na sua “assinatura” fílmica, já que suas produções têm um olhar documental.
Ao longo de sua carreira, o diretor explorou diversas maneiras de fazer filmes, mostrando os cantos do Recife pela perspectiva da história e do amor pelo cinema. Uma de suas obras mais conhecidas e emocionantes feitas em homenagem à capital pernambucana é Retratos Fantasmas (2023).
Além dos mais populares, como O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016) e Bacurau (2019), outras obras mais antigas refletem os distintos fragmentos do olhar cinematográfico do diretor. Um exemplo é o curta-metragem Vinil Verde (2004), feito com uma narração seguida de fotos estáticas, que lembra a estética da obra francesa La Jeteé (1962), de Chris Marker, com um toque de terror, fantasia e história infantil.