Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 11 milhões de brasileiros têm diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A condição vem ganhando atenção nos últimos anos, por um aumento no acesso a informações e por atualizações científicas, gerando um aumento no número de casos, inclusive em adultos: uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Network apontou que a prevalência no mundo todo subiu de 6% em 1998 para 10% em 2016.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado, de maneira geral, por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que impactam diretamente na vida e no dia a dia do paciente. Hoje, considera-se que a condição pode se apresentar de três formas, de acordo com os sintomas predominantes: desatento, hiperativo ou combinado.
Causas
Ao contrário do que muitos pensam, quem tem o transtorno não é simplesmente distraído ou agitado. A Profª M.a. Giedra Marinho, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão — afirma que o TDAH está até mesmo relacionado à genética. “Grande parte das inovações de neuroimagem já indicaram que existem causas hereditárias”, pontua.
“Existem alterações principalmente no lobo frontal pré-frontal, que tem funções de memória, atenção, concentração, controle inibitório e tomada de decisão. Então, causa uma agitação psicomotora”, acrescenta.
Giedra também aponta a influência de um desequilíbrio da dopamina, neurotransmissor do prazer, envolvido no sistema de recompensa e na motivação, ajudando a regular o foco. Normalmente, ela trabalha em conjunto com o lobo pré-frontal. “Então, a pessoa busca constantemente fazer coisas que dão prazer rápido, como telas, computador. Por isso é muito comum pessoas que têm o TDAH absolutamente viciadas em tela”, alerta.
Sintomas
Dentre os sinais do TDAH está a dificuldade de manter o foco em atividades, além da intensidade, segundo Giedra. “A pessoa começa uma coisa, não termina e faz outra. E a gestão do tempo dela é sempre muito difícil, que é uma das características principais da hiperatividade. Já o desatento, dizemos que tem um ‘delay’ cognitivo. Por exemplo, alguém conta uma piada, todo mundo entende e a pessoa com TDAH demora 10, 15 minutos”, exemplifica.
Nos adultos, o número de casos no mundo inteiro aumentou cerca de 123% entre 2007 e 2016, segundo outra pesquisa da revista JAMA Network. Nessa faixa etária, o transtorno pode se apresentar de maneiras diferentes. Enquanto crianças podem ter dificuldades na escola, por exemplo, os adultos costumam se atrasar com frequência, esquecem compromissos, fazem compras impulsivas e podem até ter dificuldades de gerir as próprias finanças.
Diagnóstico e tratamento
Os sintomas do TDAH podem ser confundidos com os sinais de outras condições, como ansiedade, depressão e distúrbios de aprendizagem, sendo fundamental a avaliação neuropsicológica. Já o tratamento é feito com uso de medicamentos, mas também através da psicoterapia. “A ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é um dos recursos mais utilizados para TDAH, tanto para crianças quanto para adultos. Fazemos avaliações, com protocolos comportamentais, e montamos programas para trabalhar tempo de espera, tomada de decisão, controle inibitório, atenção”, aponta Giedra, que é analista ABA.