Fundado pelos dramaturgos Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho na década de 1960, o Teatro Popular do Nordeste (TPN) é um dos mais influentes movimentos artísticos do Brasil pós-Segunda Guerra Mundial. O grupo teatral serviu como palco da arte popular brasileira e de peças como “O Auto da Compadecida” e “O Santo e a Porca”, escritas por Ariano.
Origem
O advento do movimento TPN veio através do grupo Teatro Do Estudante de Pernambuco, que propunha apresentações de peças de teatro com forte influência regionalista. Incluindo em suas produções o teatro de mamulengos, o cordel e o bumba-meu-boi, o grupo buscava atingir toda a população, especialmente os universitários e trabalhadores. Com o passar dos anos, foi perdendo força, mas, com os ideais ainda permanentes, o Teatro Popular do Nordeste foi criado.
A criação do TPN foi desencadeada por um desejo de pesquisa prática do curso de Arte Dramática da Universidade do Recife — hoje, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Entre os fundadores do grupo, estavam dois estudantes e quatro professores desse curso. Além dos fundadores, que ensinavam História do Teatro e Teoria Teatral, outros dois docentes (o dramaturgo José Carlos Cavalcanti Borges e o escritor Gastão de Holanda) estiveram presentes na criação.
A arte do TPN pretendia instigar a crítica e inspiração popular, através da tradição cultural local como também de grandes fontes da dramaturgia universal, segundo o manifesto de fundação do movimento, assinado por Ariano e Hermilo.
Importância
O tom pedagógico, embasado nos princípios do regionalismo de Gilberto Freyre, representa a essência do movimento em sua completude, tendo em vista que o TPN foi uma verdadeira escola responsável pela formação de muitos artistas e professores que buscavam se aprofundar na arte teatral pernambucana.
Em meio ao caos político dos anos 1960, o teatro não tinha um discurso diretamente politizado e combativo, apesar da alta carga social. Mesmo assim, muitas vezes foi criticado e alvo de desagrados. Entretanto, a educação era sem dúvida engajada, focada na resistência e no acesso democrático à arte, acreditando nela como ferramenta de comprometimento, isto é, porta-voz da coletividade e do indivíduo.
Em meados de 1968, com o Ato Institucional nº5, o Teatro Popular do Nordeste foi duramente perseguido e encerrou suas atividades efetivamente em 1975, com a morte de Hermilo Borba Filho. Porém, seu papel simbólico na representatividade nordestina no mundo artístico perdura até os dias de hoje.