Muito confundido com teimosia, falta de educação ou malcriação, o Transtorno Opositor Desafiador (TOD) é um transtorno do neurodesenvolvimento que atinge principalmente crianças e adolescentes. Estudos indicam que a prevalência da condição é maior entre meninos de 7 a 14 anos, sendo que cerca de 2 a 16% das crianças apresentam o diagnóstico. De forma geral, quem tem esse quadro apresenta um padrão de comportamentos desafiadores, principalmente em relação a figuras de autoridade, como pais e professores, que se diferencia das chamadas “birras” comuns da idade.
Características
Segundo a Profª M.a. Giedra Marinho, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão —, esses comportamentos se caracterizam pela oposição constante. “Pode ser relacionada a coisas simples, como vestir uma roupa, comer determinada comida, sair de casa. E isso se apresenta com agressividade, crises e também gritos, quando os pacientes não têm suas questões atendidas. Ou seja, eles têm uma baixíssima tolerância à frustração”, explica. O TOD se diferencia de comportamentos desafiadores comuns pela persistência, duração do quadro e por afetar negativamente contextos como família e escola. Quem tem TOD também apresenta comportamentos vingativos.
Convivendo com o TOD
Para manejar o quadro de TOD, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) pode ser uma alternativa. De acordo com Giedra, que também é analista comportamental, a técnica é utilizada para a inserção de limites educacionais. “Não adianta você querer que a criança com TOD faça sempre o que você quer, porque a resposta é sempre ‘não’. Ao invés disso, oferecemos duas possibilidades, mas que, nas duas, a criança vai fazer o desejado. Por exemplo, ‘você quer almoçar aqui na mesa ou ali no sofá?’. Qualquer resposta, a criança vai almoçar, então parece que ela está no controle. Não adianta bater de frente”, exemplifica.