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Dentes sisos devem ser retirados em casos de complicações

Embora a extração não seja sempre necessária, os terceiros molares podem causar problemas se nascerem mal posicionados

às 15h22
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Conhecidos popularmente como “dentes do juízo”, os dentes sisos ou terceiros molares ficam posicionados no fim da arcada dentária dos dois lados da boca. No total, são quatro: dois superiores e dois inferiores. Esses dentes são formados de forma tardia, entre os 17 e os 25 anos e tinham grande utilidade na pré-história. Ao longo do tempo, com mudanças nos hábitos alimentares dos seres humanos, os sisos tornaram-se apenas uma herança genética, mas podem causar problemas se surgirem de maneira mal posicionada.

Da pré-história até hoje

Antes do domínio do fogo, a alimentação humana era composta por carnes, vegetais e outros alimentos crus. Por isso, a mandíbula era maior e mais forte, e os terceiros molares serviam para mastigar esses alimentos mais duros. Assim, com o avanço das técnicas de preparos da comida, os sisos deixaram de ser tão úteis. Além disso, o tamanho da mandíbula humana diminuiu, sobrando pouco espaço para o surgimento dos terceiros molares, que são os últimos dentes permanentes a nascer. Por causa disso, quando eles são formados, podem ficar presos ou mal posicionados.

Retirada dos dentes

Com a erupção dos sisos, é comum que algumas pessoas sintam um pouco de dor na região, mas o desconforto passa com o tempo. Mesmo assim, a Profª M.a. Ana Cláudia Paegle, coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão — explica que esses dentes nem sempre causam problemas e que, por isso, a extração dentária não é recomendada em todos os casos.

“A remoção é frequentemente necessária quando os sisos não nascem corretamente, um fenômeno conhecido como impactação. Isso pode ocorrer devido ao espaço limitado na boca, fazendo com que os sisos nasçam parcialmente ou fiquem presos sob a gengiva. Além disso, se os sisos estão afetando a mordida, causando danos aos dentes adjacentes, ou contribuindo para a cárie e doenças gengivais por serem difíceis de limpar, a extração é recomendada”, detalha. Para isso, é necessária uma avaliação feita por um cirurgião-dentista. Em caso de necessidade da remoção, os quatro sisos podem ser retirados na mesma cirurgia.

Riscos de complicações

Mesmo quando a retirada dos dentes do juízo é recomendada pelo cirurgião-dentista, algumas pessoas podem negligenciar a cirurgia. Segundo Ana, os sisos comprometidos que não forem extraídos podem trazer ainda mais problemas, como dor, inchaço e abscessos. “Dentes parcialmente irrompidos podem criar bolsas de gengiva que recolhem bactérias, aumentando o risco de infecções e gengivite. Em alguns casos, cistos que se desenvolvem próximos ao dente impactado podem danificar as raízes dos dentes próximos e enfraquecer os ossos ao redor. O risco de desalinhamento dos outros dentes devido à pressão dos sisos também é uma preocupação comum”, alerta.

Depois da extração

No pós-operatório, o paciente deve sempre seguir as orientações do cirurgião-dentista. Mas, em geral, é importante reforçar a higiene da boca, evitando escovar a área operada inicialmente; consumir alimentos líquidos ou pastosos em temperatura ambiente ou fria nas primeiras 24 horas após a cirurgia; e repousar, evitando exercícios físicos e levantar peso. Além disso, é fundamental tomar a medicação indicada pelo dentista, para diminuir a dor, facilitar a cicatrização e reduzir o risco de infecções. Caso haja complicações, o paciente deve procurar o profissional que realizou o procedimento.

“É necessário evitar fumar e usar canudos, pois essas ações podem causar alveolite seca, uma complicação dolorosa que ocorre quando o coágulo sanguíneo na cavidade cirúrgica é deslocado”, Ana acrescenta. A coordenadora reforça ainda que os sisos não são fundamentais para a mastigação e, por isso, podem ser retirados sem impactar a saúde bucal a longo prazo.

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