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Obras de Tereza Costa Rêgo ajudam a difundir a cultura de Pernambuco

A artista plástica pernambucana fugiu da ditadura, mas deixou sua marca através da arte

às 15h17
Foto: Annaclarice Almeida/Arquivo DP (do site do Diario de Pernambuco)
Foto: Annaclarice Almeida/Arquivo DP (do site do Diario de Pernambuco)
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Nascida no Recife, em 1929, Tereza Costa Rêgo foi uma das artistas plásticas mais importantes do estado de Pernambuco e do Brasil. Durante sua vida, fugiu da repressão da Ditadura Militar, tendo se exilado em outros países, e assinado suas obras com o pseudônimo Joanna. Falecida em 2020, a pintora foi representante do figurativismo pernambucano, com suas obras marcadas por cores quentes e pela técnica da colagem. Suas pinturas carregavam temas da sua infância e do universo feminino, além de motivos políticos.

História

Iniciou sua formação como artista no ano de 1944, com apenas 15 anos, quando ingressou na Escola de Belas Artes de Pernambuco. Mais tarde, em 1962, iniciou um romance com Diógenes Arruda, que era dirigente do Partido Comunista. Juntos, fugiram para São Paulo, onde o marido foi preso, em 1969. Nesse período, dedicou seu tempo à arte e aos estudos, concluindo o curso de História pela Universidade de São Paulo (USP).

Em 1972, Diógenes foi solto e o casal fugiu para o Chile, mas o país também sofreu com um golpe, no ano seguinte. Por isso, mudaram-se para Paris, onde Tereza continuou a pintar e a estudar. Na capital francesa, a artista pernambucana fez pós-graduação em História na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais) da Sorbonne. Também realizou exposições das suas obras, assinadas com o pseudônimo.

Com a lei da anistia, em 1979, os dois voltaram para o Brasil, mas o marido de Tereza acabou falecendo. Depois de anos abdicando da própria vida em prol do marido, resgatou a vida que tinha antes. Passou a morar em Olinda, e mergulhou na arte e no mestrado em História na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Desempenhou alguns cargos públicos ligados à cultura, como a diretoria do Museu do Estado de Pernambuco.

Fazer artístico

Nos anos 1980, participou da Brigada Portinari e da Oficina Guaianases de Gravura, que influenciaram o seu fazer artístico, com a inserção de temas políticos. Suas obras sempre foram marcadas pela infância solitária, com pinturas de crianças brincando sozinhas, como a tela “Boneca”, de 1984. O universo feminino e a sensualidade também foram retratados pela artista pernambucana, com representações de mulheres desnudas e independentes, a exemplo da obra “Bairro do Recife”, de 1992.

A técnica de colagem foi muito utilizada por Tereza, ao unir bilhetes do marido nas suas obras, como em “A Partida”, de 1981. Também aliou suas pinturas com textos, a exemplo da exposição Diário das Frutas, de 2013, com crônicas do escritor pernambucano Bruno Albertim. As cores quentes e tons de vermelho também eram uma marca registrada da artista, que comunicava uma atmosfera pictórica dramática, sendo um reflexo da sua prática artística.

Memória

As obras de Tereza foram importantes para difundir a imagem da cultura brasileira e pernambucana, e momentos da história do país. Obras como “Zumbi dos Palmares ou Herdeiros da Noite” (1993), “Pátria Nua – Ceia Larga Brasileira” (1999), “Mulheres de Tejucupapo” (2015) e “Apocalipse de Tereza” (2009) são algumas das mais importantes da artista. Tereza teve suas obras expostas em lugares como São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris e Cuba, além do Recife. Aos 91 anos, a artista faleceu, vítima de um AVC, mas deixou sua marca na arte e na cultura de Pernambuco e do Brasil.

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