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Descontar as emoções na comida traz prejuízos para o corpo e a mente

A chamada fome emocional surge com a dificuldade de lidar com os próprios sentimentos

às 14h56
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O comer emocional, ou fome emocional, é caracterizado pela ingestão de alimentos sem que haja a fome fisiológica, que é a natural. Isso acontece em momentos de grandes emoções, como ansiedade, tristeza e alegria. “É o que comumente ouvimos dizer quando alguém ‘desconta na comida’, utilizando a alimentação como uma forma de lidar com esses estados emocionais, geralmente negativos”, diz a Profª M.a. Déborah Capozzoli, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) — localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão. Além de trazer consequências para o próprio corpo, esse tipo de comportamento também é prejudicial para a saúde mental.

O que é a fome emocional?

A fome fisiológica é um fenômeno natural do corpo, que acontece quando o organismo percebe que já se passou muito tempo da última refeição, ou quando existe a necessidade de repor os nutrientes. Já a fome emocional aparece quando não existem sinais da fome no corpo. Ela vem como uma maneira de lidar com as próprias emoções, sejam elas negativas ou não. Em geral, esse quadro acomete pessoas que sofrem com ansiedade ou depressão, por exemplo. O comer emocional se diferencia de uma compulsão alimentar (um transtorno clinicamente diagnosticável), pois “refere-se a uma forma de enfrentamento das emoções, sendo menos recorrente e não necessariamente patológico”, explica Déborah.

A busca pela comida em momentos de sofrimento vem associada à ideia de prazer, como uma estratégia de enfrentamento. Quando uma pessoa se alimenta, principalmente com alguma comida que gosta, o corpo produz hormônios do prazer, principalmente a dopamina. Como consequência, isso ativa o sistema de recompensa do cérebro, criando a sensação de bem-estar e satisfação. Por isso, é comum que as pessoas busquem a comida, como maneira de encontrar prazer, principalmente quando têm dificuldade em lidar ou reconhecer emoções, mas acabam exagerando. “Esse não reconhecimento das emoções pode ser relacionado ao que chamamos de ‘analfabetismo emocional’ ou desregulação emocional”, acrescenta.

Efeitos

Como consequência do comer emocional, pode surgir o aumento de peso, por exemplo, o que pode acabar impactando a autoestima. Isso porque a maior parte das pessoas que descontam emoções na comida procuram os doces, que ajudam a produzir hormônios do prazer. Mas quem desconta em salgados ou frituras também têm prejuízos: o consumo excessivo de sódio e gordura pode levar ao aumento da pressão arterial e dos níveis de colesterol, além de outros problemas cardíacos. 

Já no campo psicológico, quem tem fome emocional pode acabar se sentindo culpado, triste ou envergonhado após comer muito, aumentando o sofrimento. Além disso, comer para aliviar as emoções é uma solução momentânea, pois não resolve o problema que causa a fome emocional. “Quando esse comportamento se torna uma forma recorrente de lidar com emoções, causando uma constante sensação de desconexão com os próprios sentimentos, pode ser um sinal de alerta para o desenvolvimento de transtornos alimentares e psicológicos no futuro, como depressão e ansiedade”, diz Déborah.

Tratamento

O tratamento deve ser feito de maneira multidisciplinar, com auxílio de psicólogo e nutricionista. No campo da Psicologia, Débora aponta a importância de compreender o que está por trás da fome emocional. “A psicoterapia é uma ferramenta importante para ajudar o indivíduo a lidar de maneira saudável com suas emoções e abrir caminho para o autoconhecimento, identificando suas qualidades, potencialidades, pontos fortes e vulnerabilidades, que precisam ser trabalhadas ao longo da vida”, detalha.

Outra técnica que pode ser usada para contornar o problema da fome emocional é o mindful eating. “É um convite para refletir sobre como andamos no piloto automático e para comermos com mais atenção”, avalia a Profª M.a. Tâmara Gomes, docente de Nutrição da Unit-PE. “É um treinamento da habilidade de comer com atenção, sem julgamentos, sem críticas, considerando as questões físicas, mas também as emocionais. O paciente entra num processo de meditação e se conecta com os estímulos do seu corpo e tem uma percepção de questões positivas e afetivas que são evocadas pelo alimento”, complementa.

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