Com a chegada do verão, as temperaturas sobem e, por isso, os cuidados com a saúde no calor também devem aumentar. Principalmente em locais de clima tropical, onde a população costuma aproveitar a praia, ou mesmo para quem enfrenta o calor no dia a dia, é preciso ter atenção. Se não houver cuidados, as altas temperaturas podem trazer problemas para a saúde do coração, além de desidratação e até mesmo consequências para a saúde dos olhos e da pele.
Hidratação e saúde do coração
No contato com temperaturas elevadas, os vasos sanguíneos dilatam para liberar calor para o ambiente e também para a produção de suor. O Prof. M.e. Gilson Teixeira, docente do curso de Medicina da Faculdade Tiradentes (Fits) — localizada em Goiana — aponta que, em casos extremos, a dilatação dos vasos pode levar à desidratação. “Se a desidratação for muito grave, isso pode provocar perda de eletrólitos, como sódio, potássio, cloro, porque o calor extremo faz com que você tenha muito suor, e com isso você perde muita água e muitos eletrólitos”, alerta.
Os eletrólitos são sais minerais, que têm funções fundamentais, como regular nervos e músculos e manter o equilíbrio hídrico do corpo. Assim, a baixa concentração de eletrólitos no corpo, conforme aponta Gilson, pode “provocar crises convulsivas, desmaios graves, coma e arritmias cardíacas, que são casos bem extremos”, destaca. Além disso, a desidratação e a dilatação dos vasos sanguíneos podem causar queda da pressão arterial, tontura e fadiga. Por isso, o professor aconselha beber sempre muito líquido, além do uso de roupas leves e, se possível, evitar exposição ao sol entre as 10h e as 16h, principalmente para idosos e crianças.
Cuidados com os olhos
Os olhos também merecem atenção, visto que podem sofrer várias consequências com atividades como banhos de piscina. Segundo dados do Instituto Penido Burnier, casos de irritação ocular aumentam cerca de 20% no período do verão, incluindo conjuntivite, alergia, ceratite (inflamação da córnea) e olho seco. Entre os principais sintomas estão visão borrada, irritação, coceira e lacrimejamento. Essas condições podem aparecer devido ao contato com o cloro das piscinas ou sal do mar, e também pela contaminação de outras pessoas, no casos de conjuntivite, por exemplo.
Além das infecções e alergias, outras doenças nos olhos podem ocorrer no verão, devido à exposição excessiva a raios solares, como pterígio e catarata. O pterígio se caracteriza por um crescimento da parte branca do olho em direção à córnea, enquanto a catarata provoca perda progressiva da visão. Para se prevenir, vale usar óculos escuros que de fato protejam os olhos dos raios ultravioleta. Outra maneira é utilizar bonés e chapéus, ou até mesmo sombrinhas, ao caminhar na rua.
Atenção com a pele
Dados do Ministério da Saúde apontam que o câncer de pele representa cerca de 30% dos casos de tumores malignos registrados no Brasil, sendo a exposição aos raios ultravioleta do sol o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Embora a proteção à exposição excessiva ao sol seja necessária durante todo o ano, no verão ela se torna ainda mais importante. Para se proteger do sol e evitar o desenvolvimento da doença, é fundamental o uso de protetor solar, não apenas na praia ou piscina, mas também no dia a dia. Utilizar bonés ou chapéus também ajuda a diminuir a incidência de raios UV sobre a pele.