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Cerca de 70% dos brasileiros têm o hábito de procrastinar

O costume de adiar a realização de atividades pode trazer consequências emocionais e no cotidiano, mas existem técnicas para lidar com o problema

às 15h19
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Uma pesquisa da consultoria de produtividade TriadPS aponta que aproximadamente 70% dos brasileiros procrastinam com frequência. Muitas vezes confundida com preguiça, a procrastinação é uma questão bem mais complexa e que afeta o bem-estar do indivíduo. O hábito de adiar atividades importantes não surge de uma simples falta de vontade e pode até aumentar os níveis de ansiedade, estresse, culpa e autocrítica. Além disso, pode haver prejuízos no desempenho acadêmico ou profissional e na vida social.

Da procrastinação aos prejuízos no dia a dia

A procrastinação não tem relação com a preguiça, mas sim com a ansiedade e com o sistema de recompensa do cérebro. Em geral, esse hábito surge para evitar sentimentos negativos. Ao se deparar com uma atividade que deve ser feita, a ansiedade (enquanto emoção) sinaliza a importância de realizar a tarefa. Por outro lado, a dopamina, neurotransmissor do prazer ligado ao sistema de recompensa, acaba entrando em ação e preferindo atividades mais prazerosas, já que tarefas longas e difíceis não trazem gratificação imediata.

A partir daí, o indivíduo passa a buscar outras distrações, que sejam mais prazerosas, ou simplesmente adia aquela atividade, para não ter que lidar com ela logo. Como consequência, a ansiedade só aumenta. Enquanto a demanda não é cumprida, essa emoção continua sinalizando que ela deve ser feita, o que só cresce com o passar do tempo.

Com isso, o estresse também aumenta, assim como sentimentos de culpa e autocrítica, por não conseguir iniciar a atividade. Além desses prejuízos para o bem-estar emocional, a procrastinação pode acabar resultando em tarefas não realizadas, mal feitas ou entregues fora do prazo, trazendo consequências no trabalho, escola ou faculdade, por exemplo. Isso pode trazer ainda mais culpa, mas também prejuízos acadêmicos ou profissionais.

Gerindo o tempo

Para contornar esse problema, a psicopedagoga Ana Paula Melo, do Núcleo de Apoio Pedagógico e Psicossocial (NAPPS) do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, sugere várias atitudes a serem tomadas. “É preciso organizar o espaço de trabalho, estabelecer metas claras e específicas, fazer pausas conscientes ou praticar exercícios de relaxamento, utilizar técnicas de gestão do tempo e desativar notificações não essenciais”, pontua.

Uma das formas de gestão de tempo mais utilizadas é a técnica Pomodoro. Criada no final dos anos 1990, esse método consiste em ciclos de 25 minutos de trabalho focado seguidos de intervalos de cinco minutos. Depois de quatro ciclos, faz-se uma pausa maior, de 20 a 30 minutos. Durante as pautas, o recomendado é fazer atividades não relacionadas ao trabalho, como alongamentos, por exemplo.

Definindo prioridades

Outra dica é apenas iniciar a tarefa. Pode parecer óbvio, mas a ciência explica que o estímulo para realizar uma atividade vem depois que se inicia, e não antes. Por isso, dar o primeiro passo pode ajudar a dar continuidade à atividade. Dividir a demanda em etapas também ajuda a diminuir o peso associado a ela, além de facilitar o trabalho.

O uso de um cronograma também é uma grande ajuda, a partir da listagem de atividades ou etapas a serem feitas e a definição de prioridades e de datas para cada uma. Agendas, blocos de notas e calendários podem ser usados para isso, assim como ferramentas digitais. O Prof. M.e. Carlos Schuler, docente do curso de Administração da UNIT, menciona opções como Google Agenda e Trello. “Escolha um aplicativo que se adapte às suas necessidades e preferências. Faça da agenda virtual um hábito diário, verificando-a regularmente e fazendo os ajustes necessários, para que ela continue atendendo às suas necessidades”, aconselha.

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